
talvez
como eu gosto desta palavra
talvez
porque não tenho certezas
ai de quem as tem
talvez
outro corpo noutro lugar
talvez
talvez
tudo pudesse ser diverso
talvez
talvez a música
talvez
(coimbra; 2014)

talvez
como eu gosto desta palavra
talvez
porque não tenho certezas
ai de quem as tem
talvez
outro corpo noutro lugar
talvez
talvez
tudo pudesse ser diverso
talvez
talvez a música
talvez
(coimbra; 2014)

falam as mãos?
sabes ouvi-las?
as tuas mãos
como as usas?
dás a mão a quem?
quem te deu a mão?
dançam as mãos?
quantos dedos te arrancaram
quando deste a mão?
as mãos são
não sei se tu és
(coimbra; 2013)
a vida é um jogo de mãos
o meu amigo jaime

o que a vida separa
há datas que unem
hoje estivemos em festa
jaime
a festa de abril
a festa da liberdade
a festa do encontro
hoje estivemos em festa
jaime
vimos crianças muitas
jovens tantos
nós menos que no ano
passado
a lei da vida disseste
mas hoje
hoje estivemos em festa
jaime
(prof. jaime do couto ferreira; coimbra; 25 abril 2018)
a cidade onde
restam da cidade
rostos difusos
nomes percursos
as ruas por onde
sons cores aromas
vozes gestos nós
na quotidiana
construção da memória
existimos para ser
o termos sido
habita
o que seremos

(coimbra; 2013)

lê o livro e entenderás
em coimbra, no dia 11 de outubro, josé luis peixoto em conversa amena e intimista apresentou a sua última obra.
aquilo que de início poderá parecer uma incursão do autor pela literatura de viagens transforma-se, ao longo da leitura, numa obra que mais do que a países nos leva ao interior do mundo de josé luís peixoto.
um livro a não perder.
pelo interesse da conversa entre o autor e a assistência que durou quase duas horas, desdobrei a gravação em 2 vídeos
nota: a ilustração/miniatura que dá capa a este vídeo só será entendível por quem tiver lido, ou depois de ler, o livro
coimbra, 28 de junho de 2016.
há exactamente 6 anos, o poeta joão damasceno partiu e deixou-nos as suas palavras, ou seja, ficou mesmo tendo partido.
deixou-nos um livro por editar ” CARTA DE PROBABILIDADES DE EROSÃO CELESTE”. o lançamento desse livro – composto e impresso pelo irmão rui damasceno, na tipografia da família – realizou-se hoje na casa da escrita, em coimbra.
este vídeo pretende apenas mostrar alguns excertos da homenagem.
a seu tempo publicarei a versão integral.
hoje houve uma geração que se chamou “joão damasceno” .
(a sessão foi aberta pelo curador da casa da escrita, antónio vilhena, e a apresentação do poeta feita por joão rasteiro. paulo archer falou sobre a obra e a vida do amigo joão. a poesia foi dita pelo irmão rui damasceno acompanhado pelo sobrinho pedro damasceno)
na lápis de memórias, no atrium solum , em coimbra, no dia 17 de março de 2016, teresa rita lopes trouxe consigo a sua última obra ” livros do desassossego de fernando pessoa” e o seu imenso conhecimento de pessoa.
ensinou-me que pior que não conhecer, é conhecer errado. ouvi-la é entrar num mundo onde pessoa é a pessoa que de facto foi, numa obra que é muito mais e diversa, daquela que nos foi dado conhecer por outros.
é para este mundo que vos convido no registo que fiz na “lápis de memórias”, em coimbra

no auditório da livraria “lápis de memórias”, no atrium solum, o dia internacional da mulher contou com a participação de maria toscano, criadora e artista multifacetada, professora do instituto miguel torga.
da sessão fez-se o registo que se publica

no dia 21 de fevereiro foi lançada a antologia “poemas da saúde e da doença” da autoria de josé fanha e pedro quintas, editada pela “lápis de memórias”, no auditório da editora sita no atrium sólum em coimbra.
a apresentação da obra, feita por laborinho lúcio, foi ela própria antológica, sendo de ouvir e reouvir atentamente.
para aguçar o apetite reproduzo o prefácio da autoria de um amigo da lisboa de há quase 45 anos, luís gamito:
“No dia em que escrevo este texto chegou a notícia do falecimento do neurologista Oliver Sacks por alguns descrito como “o poeta da medicina moderna”. Poesia, doença e a inevitável morte são as palavras-chave desta antologia habilmente organizada, no sentido artístico, de tal forma que o resultado obtido é em si mesmo poético.
Sendo a poesia uma vivência do ser livre ela é, em si mesma, algo saudável ainda que tenha como temática a doença. A poesia é sinal de vida sobretudo quando nos fala da morte ou da doença. Para quem a escreve e também para quem a lê ou escuta.
A descrição literal e conceptual do fenómeno poético é difícil, até mesmo impossível. Mas sentimos que é uma coisa que nos faz bem: o desfile de múltiplas e novas associações de ideias, de memórias que inevitavelmente habitam emoções e são habitadas por sentimentos.
Há expressões de vida que são poéticas e, como tal, construtivistas na incessante luta contra a morte. E, ipso facto, contra a doença. E o ser doente ou dolente? Existe na medicina atual uma definição caricatural: saudável é toda a pessoa que ainda não foi bem avaliada por um médico.
Então, se todos somos doentes, é natural que a universalidade do fenómeno suscite a atenção da poesia e dos poetas. A música magnifica o tom sentimental na sua linguagem poética mas a palavra escrita objetiva os conceitos, sugere, induz, deduz, magnifica a personalização.
Todas estas funções superiores do cérebro, quando dedicadas à elaboração intelectual àcerca da doença, perfilam-se em dois territórios não distintos entre si. Por um lado, a poesia escrita trabalha no âmbito inter-pessoal e social. Por outro, é um trabalho de gratificação pessoal do próprio autor podendo ser psicoterapêutica em si mesma nesse plano individual.
Assim, a poesia extrovertida quando lida ou ouvida pode fazer bem às pessoas quer trate o tema da doença ou o da saúde que afinal é sempre o mesmo: o de uma moral anti-ansiedade.
A ansiedade é própria do ser humano porque este é livre de poder ser autor do seu próprio sofrimento. Ou porque este sabe da existência da própria morte. A consciência da doença fá-lo aproximar-se dessa finitude que apenas algum tipo de religiosidade contraria.
A teoria do “poeta fingidor” que nos remete para a existência de “dor” na pessoa do poeta tem sido acompanhada pelos raciocínios de que para “criar” é necessário que o autor seja portador de uma qualquer perturbação psicológica. Ora, isto não está demonstrado.
Contudo, por uma razão de luta contra o estigma, é comum na Psiquiatria serem apontados sujeitos que são afetados por perturbação bipolar e que se destacaram como criadores geniais. Um exemplo citado é o de Tolstoi que só escrevia quando em fases depressivas na sua quinta de Yasnaia Polyanna. Na fase maníaca esbanjava dinheiro em Moscovo.
A elaboração cuidada de psicografias dos autores constantes desta antologia provavelmente encontraria, em alguns, sinais ou sintomas de alguma psicopatologia, mas o que interessa sobremaneira é a obra poética produzida, aquilo que encanta o leitor e o ajuda na saúde ou na doença. E é disso que todos necessitamos: fruirmos o prazer da novidade que a vida expressa, a surpresa que o insólito nos proporciona.
Há muitos anos já, o José Fanha contou-me que uns alunos seus foram em visita de estudo a uma fábrica. A camioneta na qual se deslocavam, por alguma razão, parou a meio do caminho e enquanto isso as crianças brincaram com uns caracóis que, lentos, permaneciam na berma da estrada. No dia seguinte, a professora de Português pediu aos alunos que fizessem uma redação sobre a visita à tal fábrica. Não esperava que a maioria deles olvidasse a usina e escrevesse apenas sobre os caracóis. Mas para as crianças a poesia não esteve na fábrica.
E por isso é isto o valor dos caracóis no qual Sacks também acreditou.
Luiz Gamito
Presidente do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos”
e o vídeo, possível, da sessão de lançamento

concerto incluído na semana internacional de guitarra, organizada pela orquestra clássica do centro, no pavilhão de portugal, em coimbra
no dia 19 de outubro de 2014
“Exposição / apresentação de instrumentos do construtor Fernando Meireles
Concerto com Fernando Meireles & friends
Percussão – Estela Lopes; guitarra–Amadeu Magalhães; Fernandito Meireles – violino
Fernando Meireles – sanfona e bandolim
Fernando Meireles, músico, investigador e artesão, o mais afamado construtor de guitarras portuguesas e o único que se aventurou na arte de recriar um instrumento medieval, a sanfona.
“De todas as tarefas que desempenho a que me dá mais prazer é construir instrumentos. Comecei a fazê-los porque os tocava, mas agora toco-os por os fazer. Se não os tocasse e investigasse, nunca teria atingido o nível que atingi.” Nomes como Júlio Pereira, Pedro Caldeira Cabral ou Amadeu Magalhães não abdicam de tocar com peças que possuem a marca de fabrico artesanal deste jovem de idade incerta que nasceu em Penafiel e vive em Coimbra, onde tem um ateliê no edifício da Associação Académica.
Neste concerto são interpretadas Músicas das tradições europeias com destaque para a Música Tradicional Portuguesa”