o carnaval é todos os dias


(a conversa transcrita não é um texto de ficção mas de fricção)
0 ahcravo_DSC_3736 bw
ele
boa noite….. , ainda por aqui? anda tudo cego ou não aparece nada que a satisfaça? bom carnaval, na figueira tá bom tempo
(visita ao perfil dele que logo continua)
conhecendo Coimbra como conheci, olhando para as suas fotos, as suas qualificações e o seu curriculum, é deveras estranho que aqui venha e se mantenha. que diabo, fiz mestrado na praça, pós graduação em quase todas as faculdades – mais nas letras, naturalmente – doutorei-me no tropical e ganhei bolsa pós doc quando fiz o “noites longas”, fico espantado. na cidade dos doutores e de tanto macho latino de carteira bem fornida, educação e cultura acima da média – “à mão de semear”, como se soe dizer – e a ….. vem para o ……. ! o joaquim namorado talvez explicasse com o seu humor fino, mas eu só consigo dizer que você é um “case study” e coimbra um caso perdido. vá, saia, viaje e vai ver que mesmo ao lado de si está o man que lhe falta. inté
ela
Você não sabe o que diz!!
Com tanto cursos, certamente , não serei eu um “case study”…Um pouco de inteligência não seria mau…!
Além do mais, o facto de ter conta aqui , não significa que eu faça o mesmo que o senhor por aqui, nem sequer sabe se faço algo. Não me conhece, fez juízos…remeta-se à sua insignificância …
Acha que existem assim tantas pessoas com afinidades comigo, etc…?
Fique sabendo que não pretendo dinheiro e, se você é doutorado , eu também sou….grrrrrrrr
Quantas pessoas existem como eu? Nem 0,00001%….E, deixe-me em paz…farta de gente ignorante , estou eu!
Acha que pretendo engates, Gente imatura, destituída, bons vivants, barrigudos, bigodaças, carecas, feios, porcos , maus, casados, em relações, desonestos, mal educados,…gente vulgar,…a viver às custas alheias,…etc….. NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOO
E agora, diga-me onde estão esses homens disponíveis….São assim tantos??
Você vive noutro planeta! Trate-se…
Prefiro estar só que mal acompanhada ou ter que fazer o frete de aguentar um qualquer…NÃO preciso….Nunca dependi de ninguém, nem dependeria…E tb não pretendo que alguém dependa de mim…Quem quiser viver muito bem, como eu vivo, que faça por isso…
Ah…Não preciso de conselhos do que fazer com a minha vida ..
Há cada um!- !!!! Só mesmo em redes sociais…a retrete da Internet!! Que abomino!
Esteja descansado que penso sair disto muito brevemente …
É triste, muito triste. …nem alguém que deveria ter alguma educação , algum carácter, o tem!!!
ele
ufa! consegui 😎
ela
Quero lá saber do Carnaval ..
Não é divertimento que aprecie….demasiado vulgar ..excepto Veneza…
Vou até às Maldivas….

reler joaquim namorado em 2018


(da memória)

bom dia dr. joaquim

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joaquim namorado retratado por jaime do couto ferreira

cheguei a coimbra em setembro de 1973 e, não me lembro já porquê, fiz do tropical o meu café. ali se juntava a tertúlia de que joaquim namorado e orlando de carvalho – este por vezes de forma ensurdecedora – eram as figuras centrais.

jovem estudante, amante da leitura, ali passava as manhãs ou tardes livres a ler e, à tarde, a ouvi-los.

é no entanto depois do 25 de abril que começam as minhas conversas, fora da tertúlia, com joaquim namorado. conversas matinais entre um esquerdelho e um comunista ortodoxo.

até ao final da vida do poeta mantive com ele conversas animadas em que muito aprendi, lembro-me de lhe mostrar uns originais para colher a sua opinião, de caneta na mão lá foi riscando, cortando ….. (perdi essas folhas, como tenho perdido muita coisa na vida)

fomos amigos e isso é o mais importante. com a morte de joaquim namorado, para mim, morreu a praça da república e já pouco fui ao tropical.

setembro de 2018

no âmbito da exposição de jaime do couto ferreira e na sequência da edição do seu livro “O Herói no “Neo-realismo mágico” a editora lápis de memórias promoveu na casa da escrita, em coimbra, duas sessões sobre o poeta joaquim namorado.

neste registo reproduz-se a totalidade da sessão de 22 de setembro de 2018, em que antónio pedro pita fez uma “releitura” da obra do poeta e uma “visita guiada” à sua vida.

rui damasceno e josé antónio franco disseram poesia

 

 

coimbra, 25 de abril de 2018


o meu amigo jaime

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o que a vida separa
há datas que unem

hoje estivemos em festa
jaime

a festa de abril
a festa da liberdade
a festa do encontro

hoje estivemos em festa
jaime

vimos crianças muitas
jovens tantos
nós menos que no ano
passado
a lei da vida disseste

mas hoje
hoje estivemos em festa
jaime

(prof. jaime do couto ferreira; coimbra; 25 abril 2018)

 

o caminho imperfeito


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lê o livro e entenderás

em coimbra, no dia 11 de outubro, josé luis peixoto em conversa amena e intimista apresentou a sua última obra.

aquilo que de início poderá parecer uma incursão do autor pela literatura de viagens transforma-se, ao longo da leitura, numa obra que mais do que a países nos leva ao interior do mundo de josé luís peixoto.

um livro a não perder.

pelo interesse da conversa entre o autor e a assistência que durou quase duas horas, desdobrei a gravação em 2 vídeos

nota: a ilustração/miniatura que dá capa a este vídeo só será entendível por quem tiver lido, ou depois de ler, o livro

 

joão damasceno na casa da escrita (excertos)


coimbra, 28 de junho de 2016.


há exactamente 6 anos, o poeta joão damasceno partiu e deixou-nos as suas palavras, ou seja, ficou mesmo tendo partido.

deixou-nos um livro por editar ” CARTA DE PROBABILIDADES DE EROSÃO CELESTE”. o lançamento desse livro – composto e impresso pelo irmão rui damasceno, na tipografia da família – realizou-se hoje na casa da escrita, em coimbra.

este vídeo pretende apenas mostrar alguns excertos da homenagem.

a seu tempo publicarei a versão integral.

hoje houve uma geração que se chamou “joão damasceno” .

(a sessão foi aberta pelo curador da casa da escrita,  antónio vilhena, e a apresentação do poeta feita por joão rasteiro. paulo archer falou sobre a obra e a vida do amigo joão. a poesia foi dita pelo irmão rui damasceno acompanhado pelo sobrinho pedro damasceno)

os livros do desassossego de fernando pessoa


na lápis de memórias, no atrium solum , em coimbra, no dia 17 de março de 2016, teresa rita lopes trouxe consigo a sua última obra ” livros do desassossego de fernando pessoa” e o seu imenso conhecimento de pessoa.

ensinou-me que pior que não conhecer, é conhecer errado. ouvi-la é entrar num mundo onde pessoa é a pessoa que de facto foi, numa obra que é muito mais e diversa, daquela que nos foi dado conhecer por outros.

é para este mundo que vos convido no registo que fiz na “lápis de memórias”, em coimbra