mãos de mar (24)


o caminhar

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arribam as mangas

o caminhar
tudo te desvendará
por vezes será doloroso

segue sempre pelo lado do sol
rente à cal tudo se desenha

saberás então
se apenas sombra o homem

no pão a sardinha escorre
também a verdade no tempo

(torreira)

mãos de mar (23)


de tanto dares

0 ahcravo_DSC_2693 armando 2017

de tanto dares
a mão
ficaste sem ela

deste porque sim
receberam porque também

não esperes mão
da mão a quem mão deste
o que foi dado
esgotou-se no acto primeiro

mão a mão
enchem muitos o papo
isso te digo

coisas de galinhas
ou galos de capoeira

(costa de lavos; companha do armando; 2017)

mãos de mar (17)


estranho sabor

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as mãos acabam
onde tudo começa
ou será o contrário?

na areia da praia
à torreira do sol
ardem palavras

uma gaivota passeia nas redes
faz a última limpeza
come

as mãos continuam
o princípio e o fim
no côncavo da palma

cheguei de mãos vazias
parto de mãos amargas
estranho sabor

a gaivota levantou voo
juntou-se ao bando

por momentos existimos

(torreira)