os moliceiros têm vela (365)

os moliceiros têm vela (365)


josé rendeiro (rebeço) e abílio fonseca (carteirista)
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à esquerda ti zé e à direita o ti abílio ( aveiro; regata da ria; 2019)

 
os dois a rondar os 80 anos, o ti abílio com mais alguns e o ti zé quase por lá, são os resistentes de um tempo que hoje se revê nos moliceiros.
 
sem homens não há barcos, e estes homens estão quase a passar o testemunho, a idade é mais forte que a teimosia e o amor que os liga à ria e aos moliceiros.
 
há muitos anos que tenho por eles admiração, respeito e amizade.
 
queria deixar aqui o meu abraço a ambos e o desejo de que quem direito lhes reconheça o valor e o amor que sempre dedicaram ao emblema da terra: o moliceiro.
 
bem haja ti abílio, bem haja ti zé. se a ria tivesse ruas ou praças, certamente que duas teriam o vosso nome.
os moliceiros têm vela (356)

os moliceiros têm vela (356)


telegrama

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o moliceiro é esta forma de estar – para carregar o mastro todas as idades são a idade

ter um dono
e ser de todos
eis o moliceiro
(torreira; junho; 2018)
nota: enquanto autarcas, museus, universidades, doutores e engenheiros e outra gente importante, não se entendem sobre quem fará a candidatura do moliceiro a património nacional, na torreira, no museu estaleiro do monte branco, onde trabalha o mestre zé rito, o espectáculo é este.
 
de repente foi preciso carregar o mastro de um moliceiro – um moliceiro tem mastro e vela, o resto são “caricaturas” ou “amputados” que andam por aí – para reparação, logo aparecem voluntários de todas as idades dispostos a ajudar. como se dissessem:
 
– o moliceiro é nosso!
os moliceiros têm vela (354)

os moliceiros têm vela (354)


o vazio
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nas linhas dos cadernos
de duas linhas
aprendíamos a fragilidade
das letras
 
o equilíbrio precário
da escrita da vida
aprisionadas
 
escrevo há muito em
folhas lisas
simulando o plasma
onde agora
 
o vazio começa
no vazio
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(torreira; regata da ria; 2009)