o moliceiro

a água quebra
a rocha
o vento dobra
o ferro
o homem escreve
um sonho
palavras com vela
por sobre as águas
levadas pelo vento
o moliceiro

(murtosa; regata do bico; 2012)

o moliceiro

a água quebra
a rocha
o vento dobra
o ferro
o homem escreve
um sonho
palavras com vela
por sobre as águas
levadas pelo vento
o moliceiro

(murtosa; regata do bico; 2012)

cigarra que canta a formiga

o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida
escrevo o que sinto
sou as minhas palavras
cigarra que canta a formiga
faz do inverno verão

(murtosa; cais do bico; 2016)
ilusão

só se perde
o que nunca se teve

(s. salvador; regata do bico; 2016)
carta aos resistentes

não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos
admiro que ainda
perguntas-me como
só encontro uma palavra
amor
assim a terra
o entendesse
não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos
não é sonho
é viver ou morrer

(regata do bico; 2017)
eu tenho um sonho

como os barcos
assim fossem os homens
não os que neles
que maiores ainda são
dessem-se as mãos
as vontades os quereres
fizessem-se actos
as palavras ditas semeadas
esparsas solitárias
soubessem-se moliceiros
todos
diriam em voz de se ouvir
“somos esta terra
a sua memória o seu futuro
merecemos mais”

(murtosa; regata do bico; 2017)

correr por gosto também cansa e eu estou velho

(extracto de uma troca de comentários a uma foto minha de moliceiros, no facebook, no grupo “moliceiros com história” , criado por mim )
“- Que ELEGÂNCIA!!! Que IMPONÊNCIA!!! Não hajam dúvidas: somos um povo privilegiado, com estas BELEZAS…
– não basta tê-los, é preciso mantê-los. é esse o desafio que se nos coloca todos os anos. por isso este grupo: para alertar mostrando a sua beleza
– ISSO é outra “loiça”, António… compreendo…”
e assim termina a conversa com um murtoseiro.
moliceiros sim, gosto muito, mas …. passo a outro a luta.
por mim tá passada.
agora vou curtir os moliceiros, dizer que os amo muito, mas não quero ter problemas.
murtosa é isto

(regata do bico; murtosa; 2017)
resiste

companheiro
é hora de naco de broa
e cajado
reparte com os amigos
o pão
o cajado também é arma
resiste

(murtosa; regata do bico; 2017)
és tu sou eu

varanda sobre a ria
não estranhes que
te estranhem
se estranho és
estranho seria que
te não estranhassem
ser o outro
a forma de seres tu
num mundo
em que ser é ser eu
é seres estranho
abraça quem te abraça
e deixa passar quem
por ti estranhando passa
este mundo meu amigo
pode não ser o teu
mas tu serás sempre
o mundo do teu amigo
não é estranho
és tu sou eu

foi um sonho, hoje é realidade
(murtosa; regata do bico; 2017)
regata do bico 2017

o moliceiro MARCO SILVA, vencedor da regata
lista de participantes
CLASSE A
MARCO SILVA
A. RENDEIRO
UM SONHO
ZÉ RITO
S. SALVADOR
O AMADOR
BULHAS
DOS NETOS
C.M. MURTOSA
CLASSE B
ECOMOLICEIRO
SERMAR
classificação da CLASSE A
1º MARCO SILVA
2º A. RENDEIRO
3º UM SONHO
4º ZÉ RITO
5º S. SALVADOR
(nota não consegui saber as posições à chegada a partir do 5º lugar)
neste registo o moliceiro MARCO SILVA no último cambanço, já isolado.
repare-se como ao dar bombordo à bóia, a rasa num precioso ganho de tempo e distância, evidenciando a perícia da tripulação.

(cais do bico; 6 de agosto de 2017)