poesia
o risco
das janelas
“epitáfio” de josé manuel maia gomes
bem hajas, meu filho
a minha gente

a minha gente
trabalha duro
como duro é o pão
que muitas vezes come
falas do tempo
da minha janela
à memória do ti borras – nascido manuel maria da silva, patacas
(torreira; anos 90; a espera para ver e comprar)
virado para o mar olhando o longe recordo o ti borras pescador de outros tempos do barcos de quatro remos de tantas juntas que não conhecia mar que o impedisse de trabalhar se o mar fosse de vinho ia a pé até à américa dizia recordo o ti borras pescador e senhor dos mares recordo e não vejo lembrança dele ficou um beco com o seu nome que se apagará no tempo que começa a apagar-se o tempo não pode ser deixado a si próprio ainda não atingiu a maior idade








