quentes e …. (4)

modernidade e tradição, a convivência
comprei um papagaio
veio com um poleiro
e comida bastante
pu-lo na varanda
é o dono da terra

se quisermos é um cenário sempre possível
(torreira; regata da ria; 2010)
quentes e …. (4)

modernidade e tradição, a convivência
comprei um papagaio
veio com um poleiro
e comida bastante
pu-lo na varanda
é o dono da terra

se quisermos é um cenário sempre possível
(torreira; regata da ria; 2010)
ao pescador da torreira

reparar as redes da solheira
far-te-ás no tempo
desfazendo o que de ti
fizeram
afirmar-te-ás negando
que todo o fim
é negação de início
seres tu é tarefa
em que não podes estar só
a companhia surgirá quando
de velhas companhias livre fores
és mestre do incerto
senhor do saber esperar
por isso te digo
não
não tens o que mereces
nem ninguém te oferecerá
o teu futuro

as horas que fazem o dia são poucas
(torreira, porto de abrigo dos pescadores)
prefiro a carne ao peixe

a compnha espera
aqui longe sei que
é esta a gente que se ajoelha
perante um deus invisível
e não se curva diante do mar
a névoa cobriu tudo e adivinhar
o mar não é arte é loucura
nestes momentos oiço-os dizer
prefiro a carne ao peixe

como se inverno em agosto
(torreira; companha do marco; 2014)
quentes e ….. (2)

a escoar água da bateira
foi um homem são
que escreveu o elogio da loucura
mas só um louco
pode escrever o elogio da sanidade

a ria dentro e fora
(ria de aveiro, torreira)