regata da ria 2021 – uma viagem
tempo do bando esperar e os homens irem almoçar
torreira; 03/07/2021
de abril a vinte e cinco
de abril a vinte e cinco o cravo barato vulgar povo foi símbolo sem querer sem espinhos foi sonho sem espinhos foi ilusão sem sangue cansados de tanto abril a vinte e cinco foi porta foi janela o poder ser se fosse o cravo cacto espinhoso no extremo a flor a colher tivessem sangrado as mãos fosses tu a colhê-lo não o sonho ofertado fosses tu a colhê-lo fosses
raízes

apertam-se as mãos e são letras de palavra dita palavra honrada homens grandes frontais de olhar límpido mãos enormes corações foram eles o vento que enfunou as velas do meu estar com eles naveguei por outras terras e regressei sempre às raízes
(a história dos moliceiros, homens e barcos, pode escrever-se com esta imagem:
a palavra dada era palavra honrada, selada no aperto de mãos.
isso aprendi quando me fui fazendo por estas bandas, onde homens de palavra apertavam as mãos.
conheço estas duas mãos, são de dois grandes amigos moliceiros: ti abílio e ti zé rebeço, os dois moliceiros mais antigos da ria.
o ti abílio já vendeu o moliceiro e o ti zé não sabe quanto mais tempo terá forças para o seu.
saber sair é um acto de sabedoria e eles sabem-no.)

torreira; regata da ria; 2020

torreira; regata da ria; 2020

torreira; regata da ria; 2020; ti zé rebeço