postais da ria (155)


estar vivo é perigoso

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olhar para dentro de tudo

só te saberás
se tentares ser mais

o mais desculpas serão
para seres o de sempre

o do sofá da sala
do pão certo à hora certa
sobrevivente de ti

estou cansado até
ao mais fundo de mim
doo-me de tanto

estar vivo é perigoso

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fotografar é sentir com os olhos

(torreira; s. paio; 2014)

os moliceiros têm vela (200)


aos senhores da terra

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toda a beleza dos moliceiros

queria acreditar em vós
em tudo o dizeis

ouço-vos atento

mas de que serve ouvir-vos
se fazeis o oposto

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o que é tem a ver o moliceiro com o logotipo da câmara da murtosa

(torreira; regata da ria; 2010)

os moliceiros têm vela (199)


quem dera tu

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os dias têm o tamanho
de sempre

mas entre o nascer e pôr
as horas de sol
nem sempre as mesmas

acolhem-me os hoje
onde os ontem
são promessas de amanhã

o caminho estreita-se
crescer é diminuírem os dias
sermos mais e menos

divago por entre memórias
existo ainda
por isso escrevo só por isso

não te escrevo
escrevo-me

os dias têm o tamanho
de sempre
quem dera eu também

quem dera tu

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(murtosa; regata do bico, 2012)

os moliceiros têm vela (197)


tudo são aparências

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o zé e o seu moliceirinho

é nos dias de calmaria
que nasce a tempestade

tudo são aparências

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de chapéu verde, o s. paio do zé rebelo

(torreira; regata do s. paio; 2014)

o zé rebelo prepara o seu moliceirinho para a regata