postais da ria (306)

postais da ria (306)


cravo qualquer coisa
 
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torreira; 17/06/2019

 
guardo as palavras
para depois
de hoje ficam apenas
 
a primeira imagem
e a primeira mensagem
de boas vindas
 
eu conheço-o chama-se
cravo qualquer coisa
já me fotografou na ria
 
é talvez esta a melhor
saudação
vinda de um miúdo
 
terei sido isso
quando ele homem
de mim se lembrar
se
 
cravo qualquer coisa
é tanto
 
 
postais da ria (305)

postais da ria (305)


o que é cravo?
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torreira; safar redes; porto de abrigo; 2013

não escrevo o teu nome
falo de ti
como se da ria do mar
memória de um tempo
 
agora que o retornar
se aproxima
são mais fortes os gestos
os silêncios
as bateiras
as cabritas as redes
a ausência
 
imagino-te aqui
onde estás sempre
sem nunca teres estado
mas és tantos quantas
as imagens de ti
 
não escrevo o teu nome
porque não o podes ouvir
para me responderes
como era costume
 
o que é cravo?

postais da ria (303)


outro eu
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todos os dias
perco memória
todos os dias
me reaprendo
 
palavra a palavra
recupero do silêncio
as memórias idas
 
e o ter esquecido
é um outro eu
o eu aqui agora
 
como se outra casa
outra porta
para outro mundo
 
(torreira; safar redes; 2018)

postais da ria (295)


como na anedota
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(torreira; porto de abrigo; 2018)

 
sei que existem
pelo ruído
não pela voz
que a não têm
 
não sabem o que são
sendo o que não sabem
papagaios nocturnos
enganados nas horas
 
voam baixo como
as galinhas
na ilusão de águias
pescadoras
 
deixo-os poisar
como na anedota
(torreira; porto de abrigo; 2018)