quem

doloroso bailado este
quem sou procura-se
o que não sou sabe-se
afirmo-me negando
deixar de ser eu
(torreira; safar redes; 2013)

doloroso bailado este

safam-se as redes para que se não safem os chocos


o salvador e a maria do carmo, marido e mulher, camaradas

o diamantino arruma as redes, vai começar a época do berbigão

da vida

o jacinto arruma as redes da solheira
na nascente saberá
o rio do mar?
(torreira; 2018)
da amizade

há quantos anos
foi ontem?
(torreira; safar; 2018)m safa
sorrio de mim

safar as redes da solheira
sou a memória
de ter sido
habito-me emalhado
na rede dos dias
reinvento-me
em tudo o que faço
sorrio de mim
(torreira; porto de abrigo; 2013)
da escrita

o safar das redes da solheira
só escrevendo
me liberto
do que sinto
safar de outras
redes
da arte de viver
hoje não escrevi
(torreira; 2018)