Mês: Novembro 2010
monólogo à beira mar
e se …
solheira – o safar das redes ou outra forma de dança
atracada a bateira, vai o pescador descansar.
a madrugada e a manhã foram gastas no largar e no alar.
regressa depois de comer e começa a safar as redes.
uma das formas de safar as redes é dentro da própria bateira, e a
rede passa, por cima de uma vara, da ré para a proa enquanto se vai safando.
a dança que começou na ria para a ré, faz-se agora da ré para a proa.
o massa, em primeiro plano, é um homem de mar e de ria, de força e de trabalho, que canta com tanta alma quanto aquela que põe na faina.
(torreira; marina dos pescadores;2010 )
mário de sá carneiro – “recreio”
meditação
estou vivo
safar as redes, safar a vida (I)
o primeiro safar das redes começa no alar.
então se safam os peixes – chocos, linguados… – e se safam caranguejos, alforrecas e as algas maiores.
metro a metro, rede a rede, andar a andar, a rede vai-se acumulando junto à ré, entre o meio do barco e os pés do pescador.
sente-se que a beirada se aproxima da ria e o barco se torna mas pesado à medida que se ala.
depois, regressa-se à marina dos pescadores e outros dançares a rede fará.
na metade traseira do barco o seu primeiro passo
(torreira; 2010)
de sophia as pérolas mais puras
marlene murta …. lembras-te?
como são férteis estes dias
repartidos entre mar e areia
faina e repouso
apetece-me cantar
e lançar ao mar
as mágoas que as arcas
no inverno guardaram
venham barcos
homens redes bois
venham ondas vento
venha, se o houver, peixe
hoje estou feliz
e vou correr na areia
encharcar-me de mar
estou de novo
pronta a não partir
para vê-los voltar




