Mês: Novembro 2010
o safar das redes na arte solheira (I)
na arte da solheira o safar é sem dúvida a tarefa mais trabalhosa.
durante alguns registos iremos acompanhar o bailar das redes e como, quando e onde pode ser feito o safar das redes.
olhar é o princípio da descoberta das coisas e do estudo dos processos em que se inserem
(cais do bico; murtosa; 2010)
poema de áfrica
verão
o verão lateja-me nas veias
o corpo reverbera em vermelho e azul
sinto um aconchego de conchas junto ao pescoço
e apetece-me morrer aqui em pleno agosto
estou cheio de vida
ofereço-te tudo o que o mar pode dar
porque já não sei distinguir entre mim e o mar
são peixes dourados estas mãos que te acariciam o rosto
e de água este corpo que te aguarda em ondas sucessivas
o verão lateja-me nas veias
em cada jarro de vinho bebo
o ritmo pontuado por violas e flautas
madrugada dentro o orvalho humedece o desejo
e caminho ao encontro do sol que me espera sobre a areia
o verão lateja-me nas veias
e agora já posso morrer porque estou cheio de vida
ti miguel bitaolra
o bordão
agora apoio
do corpo cansado
o saco de plástico
os cigarros e o isqueiro
resguardados
o homem do mar
o ti miguel bitaolra
amigo de muitos anos
senta-se agora
na cadeira
da ti rosa
onde o mar escorre
e a companha se junta
para falar da safra
do futuro
do passado
beber um copo
jogar dominó
uma sueca
continuar viva
do vazio
incomensuráveis espaços diminutos
vazias casas inóspitas prisões inescapáveis
pesadelos diurnos de percursos circulares
acesas noites gélidas de sonos episódicos
invertebrado tempo de inumeráveis dias
antiquíssimo bater de horas
ressoando em torres ancestrais
palidez lunar de fantasmas seculares
meticulosamente se constrói
o vazio
vem amanhecer comigo
muralha de bordões
quando em horas felizes o peixe enche o saco é necessário “segurá-lo” para que as ondas não o arrastem pela areia enquanto se espera o momento favorável para o levar para seco e fazer a escolha do peixe então um exército armado de bordões constrói uma muralha e salva-se uma maré boa
(torreira; companha do marco; 2009)
de rosa maria ribeiro “ele”
etimologia de xávega, xábega, jábega …. em castelhano
porque é importante saber de que falamos quando falamos, é importante fazer aquilo a que os sociólogos chamam “operacionalização do conceito”, este é um dos textos linguísticos que melhor encontrei para ir até à raiz e, a partir dele, embora em castelhano, se fale de xávega sabendo o que é.
contributo que aqui deixo e que recolhi na net, embora não citando o link, está perfeitamente identificada a autoria e, com recurso a qualquer motor de busca encontrável.





