ser só ser


os rios das cores
no lento saborear
deste estar aqui
longe e perto de
ser só ser só

trazer na língua o sal
roubado algures

ter tudo sem nada
querer possuir
e ser feliz
por ser assim

olhar tudo e tudo ser
na alegria plena
de estar vivo e ver

as cores bailam-me
diante dos olhos
são rios que nascem
sem ânsias de foz

sorrio
por entre as nuvens
dos dias
inúteis
no lento saborear
deste aqui estar

(torreira; 2011)

xávega_entre os bois e os tractores


força humana
 
este registo é a memória de um tempo de transição, na xávega da torreira, em que as juntas de bois já não eram utilizadas e os tractores ainda não tinham sido introduzidos.
 
foi um tempo curto, mas em que se trabalhou à moda do início da arte, todo o esforço era humano, à excepção do motor que já se encontrava instalado no barco.
 
(torreira; século XX)
 

quando o mar trabalha na torreira


humana a força toda - que os bois já acabaram e os tractores ainda não

 

à força de braços e arte
deslizando sobre varas
caminhada lenta pausada
o barco chega ao mar

assim o início

provocadoras
ondas chamam
amor seu
vida nossa

homens sobem
inundam o barco de força
aos remos
serão poucos
bastantes porém

lanço
que começa
esperança
no que o mar
para dar tem

 

(torreira; século XX)