quando o mar trabalha na torreira_alfredo afonso (cricas)


alfredo afonso (cricas) _ falecido

 

resta-me o futuro
a esperança de haver
mais mar

aqui moram
as minhas memórias
pegadas
coladas
à areia de ser eu aqui
um grão
no vento voado
do tempo

resta-me o futuro
espuma das ondas
a rebentar nas proas
barcos
peixe pouco
deixando em terra
escamas de mar

aqui moram os meus
sonhos
mesmo os que não tive

 

(torreita, século XX)