do ficcionado (des)equilíbrio


o meu amigos salvador belo, cuja posição me inspirou

o meu amigo salvador belo, cuja posição me inspirou

 

 

a tua casa
a tua vida
o teu lugar onde
és o que
o teu contexto
de sobrevivência

 

quanto custa seres
aqui?
o que és se aqui
não for?

 

sobreviver
não é subservir

 

o homem
é ele e a sua palavra
onde quer que
desconhece outra geografia
que não a do que pensa

 

a verdade não é localizável
no mapa dos interesses locais
é
mesmo que a sonegues
ou
propositadamente a ignores

 

partiu-se um vidro na janela
era o teu nome

 

 

 

xávega, o largar da muleta


barco de mar maria de fátima

barco de mar maria de fátima

ao largar de forma tradicional, já o escrevi, o barco de mar tem três pontos de fixe em terra:

– a corda do reçoeiro

– a regeira (uma corda curta)

– a muleta

os três permitem que o barco se mantenha perpendicular à praia e às ondas, firme e com a bica da proa pronta a furar o mar. o perigo está no barco “dar de querena”, ou seja ficar de paralelo às ondas, o que fará com que vire com facilidade.

a muleta tradicional em madeira, apoia-se numa peça de metal existente na proa e é largada pelo arrais quando sente que o barco já não corre risco por estar “bem apontado ao mar”.

é o momento que aqui se regista, pode-se ver a flutuar a muleta, na zona inferior direita, que é puxada para terra por uma corda a que está presa.

(torreira; companha do marco; 2010)