ir ao mar com o marco (11)


 

vermelho vivo, o arinque do calão da mão de barca

vermelho vivo, o arinque do calão da mão de barca

 

a rede já está quase toda no mar. vê-se, na metade da ré do casco, o que falta da manga da mão de barca e na parte da proa, a própria mão de barca (junto à base da fotografia)

de costas, o horácio segura o arinque do calão da mão de barca, para o lançar ao mar ao mesmo tempo que o calão.

o barco está muito mais leve e quase pousa no mar

 

(torreira; companha do marco; 2011)

dias de memória


 

regata de moliceiros, no bico, murtosa, 20017

 

passeio-me pelos dias
cheio de tudo e de nada
o que tenho me basta

há dias em que o cansaço
o desalento a desilusão
se somam e se tornam
maiores que o próprio dia
são os dias de memória

passeio-me por eles
como se os sobrevoasse
pesado e leve de tanto

chego e parto
fico porque

tudo começa
e acaba sem nunca

vou com as aves
escreveu o eugénio
eu quero ir com os cisnes

quero

(murtosa; bico; regata de moliceiros; 2007)

gorim


no guiador a chapa com o nome, obrigação legal

no guiador a chapa com o nome, obrigação legal

aprendi contigo que a terra
é nossa se nos saúdam

lembro-me do mais antigo tempo
eu jovem ainda quase gente
e tu
tu o homem bom de seres assim
de bicicleta os dois
e a saudação

bom dia senhor césar e companhia

eu era a companhia
a companhia que hoje permanece
por mais algum tempo
e a quem tu que já partiste há muito
continuas silenciosamente a acompanhar

isso fomos e seremos sempre
companheiros

o valor da palavra
mais do que dinheiro ou honrarias
a verdade acima da conveniência
o povo mais que os grandes
por bem que não por interesse

regresso a ti para ser eu
bom dia tio césar de ti o

gorim

 

(murtosa)