no gesto a palavra dita


 

 

praia de mira, barco de mar s. josé

praia de mira, barco de mar s. josé

é tempo de gestos
de dizer fazendo
de ser o que negado foi
calar é consentir
afirmar-se é negar
recusar é querer

ergue-te
maior que tu só tu
ninguém tem o direito de te apoucar
cresce para que cresçam os que de ti
o tempo dos teus será o que lhes deixares

são estes os homens que descendem
dos que foram a longes terras e regressaram
os mais descendem dos que nunca partiram

de quem descendes tu
se não fores a recusa
e o afirmares bem alto
de pé?

 

(praia de mira; companha do zé monteiro)

ir ao mar com o marco (12)


 

o largar da mão de barca

o largar da mão de barca

toda a rede está no mar, a mão de barca corre por sobre o bordão e o barco regressa a terra. mantém-se a atenção no sair da corda, cuidando de que não haja nós ou embaraçamento de rolo.

entretanto, não há descanso a bordo, o agostinho e o ti américo vão escoando o barco da água que entretanto entrou. o agostinho com um balde, o ti américo com o mais vulgar escoador, ou vertedouro, uma embalagem de plástico de 5 litros de lixívia, devidamente cortada e adaptada.

repare-se no facto de o remo se encontrar bem preso, para não perturbar o andamento do barco: uma corda por cima do cágado e outra a amarrá-lo ao banco.

a velocidade é de novo grande. a rede foi largada onde pretendido e chegar a terra é agora a manobra mais delicada: o surf do arribar.

 

(torreira; companha do marco; 2011)