confissão


 

 

deixar morrer ou recuperar

deixar morrer ou recuperar

chega o dia em que conjugar
os verbos no pretérito
é forma quotidiana de
falar dos dias
somos mais o que fomos do
que o que pensamos vir a ser

somos porque fomos
e no que fomos o termos sido
seja um sorriso hoje
a saudade não cabe no tempo contado
cabe no tempo a descontar
por não haver tanto quanto houve

caminho cansado por vezes
mas com os bolsos cheios de dias
distribuo sorrisos quando digo de mim
histórias que podem parecer inventadas
mas que como eu

estão vivas

 

(ria de aveiro; torreira)

ir ao mar com o marco (1)


 

 

encostado ao castelo da proa vai um homem com máquina fotográfica

encostado ao castelo da proa vai um homem com máquina fotográfica

 

quando o mar permite e o arrais consente, lá vai o fotógrafo dentro do barco, sentir o silêncio do mar e documentar o fazer do lanço.

neste registo pode-se ver que o barco navega paralelo à costa, em direcção a norte, procurando uma boa entrada.

pela bica da ré, o vitó vai controlando a primeira corda do reçoeiro que, neste caso é mais fina que os restantes rolos – não vai ser necessária para alar o aparelho, destina-se somente a permitir que o barco faça a entrada mais a norte. depois é recolhida e enrolada separadamente.

o mar estava calmo, por isso me deixaram ir, por isso fui. que fotografar pancadas de mar, de terra, é uma coisa, levar com elas em cima …não é conveniente, nem o arrais pode correr esse risco.

 

(torreira; companha do marco; 2011)