contem comigo


 

 

a cabritar no cabeço

a cabritar 

 

escritas na água
as palavras boiam nos dias
ilusão ser de terra o lugar onde
certa a incerteza

os dias não são o que
serão somente se

estendo o olhar até onde
procuro insisto e resisto
estou vivo demais
para sucumbir
arrastando desânimo pelas horas

venho de longe para longe vou
deter-me-ei tão só quando
já não for

até lá
contem comigo
de pé

 

(pesado o labor de quem da ria tira o sustento, enterrado na lama)

as novas muletas


 

o maria de fátima vai fermoso e seguro

o maria de fátima vai fermoso e seguro

 

o barco entra agora no mar, apoiado numa estrutura rígida, as 2 muletas fixas nas cápsulas metálicas, e deixou de ser necessária a regeira.

note-se que, pela mão do arrais, começa a sair o reçoeiro e, ao fundo, a rebentação no “cabeço” – praia, lago, cabeço.

 

(torreira; companha do marco; 2011)