por vezes toco a beleza


 

 

algures na ria

algures na ria

 

de tudo me fica
a tentativa vã
de querer ir mais fundo
à raiz das coisas
onde mora a memória
a casa se iniciou

sou apenas um que tentou
mais um que

semeio palavras e imagens
sonhos e amarguras
tempo a esmo
de histórias começadas e
nunca acabadas

acabarei
a boiar algures numa laguna
de tempo sem tempo
onde não serei
sequer coisa digna de se ver

olho a ria e admiro a beleza
das pequenas coisas
reencontrando nelas o imenso
do que vou perder

será sempre assim

 

 

ir ao mar com o marco (9)


 

 

já vai o saco na água e começa a ser largada a manga da mão de barca

já vai o saco na água e começa a ser largada a manga da mão de barca

 

este registo é a cores, porque só assim se conseguem visualizar, com mais nitidez, os detalhes de tudo o que se está a passar.

o saco já foi largado e vê-se, à tona da água, a cortiçada de cores variadas, distingue-se ainda à esquerda do meio da cortiçada, o saco, e ao fundo, à direita, o arinque do reçoeiro.

começa agora a ser largada a manga da mão de barca.

repare-se mais uma vez na atenção de toda a companha ao largar da rede.

 

 

(torreira; companha do marco; 2011)