postais da ria (355)


os amigos de

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torreira; jim; safar redes; 2019

 
sentava-me à mesa do café
lia poesia
 
os meus poetas à minha mesa
falavam-me
 
eu era jovem e o tempo imenso
 
sentava-me à mesa do café
sem urgências
 
as de agora com tanta fome
dos amigos de então
 

postais da ria (353)


o gesto

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torreira;zé de gaia; 2017

suspenso o gesto
como o tempo
confinado
adiado
suspenso o tempo
o gesto
amanhã porque
haverá um amanhã
onde sempre nem todos
mas os que por enquanto
esperarei o momento
de suspensão da suspensão
ser ainda depois de
até que
porque nunca suspenso
o tempo
silencioso continua
o gesto será ou não meu
mas será sempre

postais da ria (351)


um puto da ria

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torreira; 2019

 
trago o tempo aos olhos
é ainda o filho nas redes do pai
 
é ainda um puto da ria
que depois da escola safa redes
sem paredes nem janelas
sem professores nem horários
sem exames nem anos a galgar
só marés limos caranguejos
redes para safar
 
é um puto de férias
a safar redes
as redes do pai
e as dos amigos do pai
que dele são também
 
porque todas as redes
são redes dos putos da ria
 
a vida continua
as redes deixaram fugir o pai
 
o puto está preso nas malhas
das redes é um puto da ria
e chama-se filipe como o pai
 

postais da ria (347)


inté

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torreira; 2016

 
um dia
quando eu morrer
vão-te dar uns dias
para estares comigo
 
mas
eu já não estarei
fui-me
 
aproveita esses dias
para estares contigo
não me inventes
nem te reinventes
aproveita o que te dão
pai não morre todos os dias
 
é tarde
são quase horas
de ir lanchar
 
inté