postais da ria (366)


enredado

torreira; safar redes; 2017
encontrar a primeira malha
seguir o rasto ao fio
caminho inverso ao da agulha


depois da primeira muitas mais
fizeram a rede
mas essas vieram depois


encontrar a primeira malha
é contar a história da rede
da rede toda a começar pelo fim


minuciosos os dedos são
a ferramenta primeira na escolha
cuida deles como da verdade


encontra a primeira malha
ou em vez de redeiro serás
enredado

postais da ria (365)


o silêncio é uma vela

torreira; regata do s. paio; 2020
começas a escrever os dias
a repetir a palavra ontem
cada dia mais vazia de vida
mais cheia de memória


em ti habitam os que partiram
em ti se demoram
no sobrevoar da ria tão deles


olhas como te ensinaram
e lembras os nomes os rostos
ainda ouves as vozes


o silêncio é um barco
e tu a vela que o tempo enche

postais da ria (363)


chama-se dinis

(torreira; corrida de chinchorros; s paio; 2020)


para quem não conhece, nas festas do s. paio da torreira realizam-se sempre duas regatas à vela ( moliceiros e bateiras) e uma corrida a remos (chinchorros)


este ano a bateira chinchorra vencedora foi a “dinis”.


a estrear, foi feita pelo mestre zé rito, para o neto zé pedro, que lhe deu o nome do irmão, dinis.

na foto vê-se, de pé e em tronco nu, o pai do zé pedro e do dinis, alfredo miranda.

para todos os meus parabéns e um abraço

postais da ria (357)


sentar os amigos à mesa

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torreira; safar redes; 2019

 
sentar os amigos à mesa
da palavra
matar a fome de estórias
 
costume português este
o da mesa e nela nos juntarmos
para no repasto sermos
 
quantas mesas se vergaram
ao peso das ideias
 
ao longo da nossa história
quantas palavras
voaram por cima de toalhas
e foram alimento
 
sentar os amigos à mesa
apenas isso
viver para esse momento