deuses se julgam

no luxo de o ser dizem que deus escreve direito por linhas tortas humano que sou erecto e efémero a direito escrevo deixo para os que deuses se julgam as tortas linhas que jamais endireitarão
amigos

então trocas os nomes confundes os rostos reconheces a voz mas é tarde não tardou o tempo a crescer onde diminuis então trocas os nomes os que não esqueceste que a memória também os amigos sorriem e respondem por um nome que não é o deles os amigos são para além do nome o gesto o abraço o sorriso então sorris também porque não há trocas na amizade
salvé salvador

regresso ao sábio labor das pequenas malhas à paciência do pescador encontro o homem escuto-o e aprendo vão colhendo as malhas gélidos os dedos do meu amigo dentro do barco agulha na mão um homem bom espera melhores dias um homem bom que repara redes porque não pode reparar os dias
dez anos

dez anos é muito tempo ou foi ontem
enredado

encontrar a primeira malha seguir o rasto ao fio caminho inverso ao da agulha depois da primeira muitas mais fizeram a rede mas essas vieram depois encontrar a primeira malha é contar a história da rede da rede toda a começar pelo fim minuciosos os dedos são a ferramenta primeira na escolha cuida deles como da verdade encontra a primeira malha ou em vez de redeiro serás enredado
o silêncio é uma vela

começas a escrever os dias a repetir a palavra ontem cada dia mais vazia de vida mais cheia de memória em ti habitam os que partiram em ti se demoram no sobrevoar da ria tão deles olhas como te ensinaram e lembras os nomes os rostos ainda ouves as vozes o silêncio é um barco e tu a vela que o tempo enche
sabes

sabes, estou cansado, apetece-me dormir e deixar que volte o tempo em que todos os dias é verão e eu … eu andava sem cuidados pelas ruas
chama-se dinis

para quem não conhece, nas festas do s. paio da torreira realizam-se sempre duas regatas à vela ( moliceiros e bateiras) e uma corrida a remos (chinchorros)
este ano a bateira chinchorra vencedora foi a “dinis”.
a estrear, foi feita pelo mestre zé rito, para o neto zé pedro, que lhe deu o nome do irmão, dinis.
na foto vê-se, de pé e em tronco nu, o pai do zé pedro e do dinis, alfredo miranda.
para todos os meus parabéns e um abraço