todo o mundo é aqui
todo o tempo é agora
às armas poeta
é urgente lutar
(solheira; safar redes; torreira; 2016)
tudo velho no ocidente
cheira-se o sangue
do médio oriente
no corno de áfrica
a vida não vale um corno
a ponta sequer
tudo velho no ocidente
mata-se em áfrica
no médio oriente
dá-me ouro petróleo
metais raros gaz natural
morrer é normal
tudo velho no ocidente
morre-se jovem em áfrica
no médio oriente
não vale um corno
este ocidente
(a mão; o saco de berbigão; torreira; 2015)
eu queria escrever
poemas de amor
escrever com arte
o teu corpo o meu
os nossos
escrever coisas belas
que nada dissessem
para além da beleza
que há nelas
eu queria escrever
poemas de amor
poetar
a natureza o céu
as flores o mar
e os teus olhos
num poema
pensar o mundo
sem o mundo dizer
eu queria ser poeta
mas sou apenas um ser
que olha vê sente
e não cala a raiva a lágrima
que ensopam
estes dias-palavras tristes
(solheira; safar redes; torreira; 2014)
vazias mãos de tanto terem dado sou o que resta migalhas de mim por aí espalhadas e eu eu nada ao dar dei-me e fiquei assim vazio de mim a olhar o horizonte o sonho perdido no mar a gaivota a passear a areia o desespero não regresso fui-me e não voltei resta o casco carcomido encalhado não cansado
(reparar redes; torreira; 2011)