meditação à beira ria
quem vive só não tem amigos
nem desilusões
mas é do sobressalto que a vida
se faz
por cada um que cai
outro se levanta
haja dias
(torreira; marina dos pescadores)
em novembro de 2012 foi criada a Associação Portuguesa de Xávega (APX) – se lerem a sigla à moda dos pescadores fica “há pêxe”, feliz a escolha.
está assim criada uma ferramenta de união dos arrais da xávega pela luta da sobrevivência desta arte de pesca tradicional.
quando os homens querem

sorriso aberto alegria estampada no rosto chama-me à parte palavras poucas já tenho tudo o que sempre quis depois de toda a vida numa barraca sem condições poder ir para uma casa a tal se resume o que sempre quis é este o meu país
(alfredo amaral; torreira; 2009)
"sou feio mas sou moderno" alfredo amaral
aqui te digo amigo que me orgulho de te ter como saber a tua história o que foste o que és de pequenino aos pés da tua mãe a ver trabalhar o mar agora já homem a dar duro no pão o mar que ela agora não vê a tua mãe alfredo a ana é agora tua filha onde o mar é teu irmão e pai saber como és mais que tu sabendo-te sorrindo jamais exigindo quem conhecendo-te te poderá dizer não? que todos os filhos sejam como tu sem serem como tu é desejo que fica é palavra que deixo é desejo abraço-te e sorrio porque tu és feio mas és moderno quando há tantos modernos horrorosos
(torreira; 2011)

existem
não se sabem
andam
não caminham
continuam
perdidos
sem outra meta
que não hoje
são
o retrato

sou a que nunca ficou em casa nunca foi ao mar sou a que ajuda a empurrar o barco a que o espera em terra sou a que escolhe o peixe e entre duas picadas de peixe aranha se levanta e nasce na areia um outro rio sou a mãe a mulher a filha a viúva sou a mulher da arte que a arte não lembra
(torreira; anos 90)
ao longe a esperança começa a nascer o barco lançou o saco inicia o regresso trará a rede peixe ? do mar o incerto pão nem sempre mata a fome paga o esforço o suor as gargantas secas de tanto gritar não somos dos que desistem enquanto houver sol e o mar permita o barco partirá sempre em busca do peixe do pão que o mar dá
(torreira; séc XX)