o papu, a mulher alexandra dias e o filho, toda a família se junta no safar das redes.
assim se aprende de pequeno que não é em caminhas de baloiço que se adormece, mas no terno balanço da ria que se inicia a caminhada.
(torreira; 2007)
sou a que fica em terra
à espera dele
que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta
sou eu que grito
quando o mar está bravo
e o barco sobe na crista da onda
quando o arrais grita
VAI! VAI! VAI!
sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui
o “piço”, pescador ou filho de pescador sem alcunha não existe, safa as redes para a plataforma da marina.
este ano, um fotógrafo, apanhou o piço e uns amigos a apanhar camarão à moda antiga, com um pequeno chinchorro e registou momentos únicos.
até aqui tudo bem.
infelizmente, e já não é o primeiro, fez logo de seguida uma exposição e vá de vender aos pescadores as fotos que tirou, o piço estava numa delas claro.
que fotografem os pescadores e as artes de pesca é de louvar, que depois lhes venham vender as fotos é a roubar.
canons, nikons, ….. não vos chegam.
oh vós que tendes dinheiro para as máquinas, ainda explorais quem dia a dia conquista à ria e ao mar o pão parco que à mesa leva.
como não sou de conversas:
raios vos partam chulos!!!!!!!
(torreira-marina dos pescadores; 2009)
safa-se as redes a bordo, safa-se as redes para outro barco, safam as redes os homens, safam as mulheres e os mais pequenos.
neste registo o carlos padeiro safa as redes para cima de um moliceiro atracado à marina.
na altura em que o fotografei o carlos teria 14 anos e já alguns de ria e de arte.
é assim na torreira nasce-se com a ria no sangue e o mar no coração
atracada a bateira, vai o pescador descansar.
a madrugada e a manhã foram gastas no largar e no alar.
regressa depois de comer e começa a safar as redes.
uma das formas de safar as redes é dentro da própria bateira, e a
rede passa, por cima de uma vara, da ré para a proa enquanto se vai safando.
a dança que começou na ria para a ré, faz-se agora da ré para a proa.
o massa, em primeiro plano, é um homem de mar e de ria, de força e de trabalho, que canta com tanta alma quanto aquela que põe na faina.
(torreira; marina dos pescadores;2010 )
o primeiro safar das redes começa no alar.
então se safam os peixes – chocos, linguados… – e se safam caranguejos, alforrecas e as algas maiores.
metro a metro, rede a rede, andar a andar, a rede vai-se acumulando junto à ré, entre o meio do barco e os pés do pescador.
sente-se que a beirada se aproxima da ria e o barco se torna mas pesado à medida que se ala.
depois, regressa-se à marina dos pescadores e outros dançares a rede fará.
na metade traseira do barco o seu primeiro passo
(torreira; 2010)
quando em horas felizes o peixe enche o saco é necessário “segurá-lo” para que as ondas não o arrastem pela areia enquanto se espera o momento favorável para o levar para seco e fazer a escolha do peixe então um exército armado de bordões constrói uma muralha e salva-se uma maré boa
(torreira; companha do marco; 2009)