(praia de mira; 2011)
queria grandes as mãos queria enormes os braços queria mas não tinha dei-me todo
para o meu amigo agostinho trabalhito
apanhei rente ao mar três seixos rolados de cores diferentes como diferente é tudo entrechocando-se na mão produzem um som áspero um som de memória perdida encostados ao ouvido nada dizem são simples pedras não búzios também eu trago no corpo o mar o mar que ninguém ouve
(torreira; 2016)
concorde ou não com o que neles se escreve aí se encontram fotos minhas
1 – almada – costa da caparica (foto da praia de mira) – 2015
2 – ovar ( foto da praia de mira) – 2016
https://www.ovarnews.pt/arte-xavega-de-ovar-a-patrimonio-cultural-imaterial/
3 – ovar (foto da torreira) – 2016
4 – caxinas (fotos da torreira) – 2008
https://caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt/59218.html
5 – blog DD ( fotos da torreira e da praia de mira)
(se mais houver… hão-de aparecer)
lembro os dias a luta a indecisão de o não saber como a aceitação a revolta as divisões a impotência as armas e os barões gordos e guardados protegidos afilhados um tempo gordo bolorento lembro os dias da decisão das armas roubadas aos barões dos canhões à praça virados da festa da liberdade tempo de cravos na mão foram-se as armas ficaram os barões e os afilhados livres as palavras e o engano livre tu para recusar e seres ainda não é pleno o nosso tempo

sê grato às portas que te abrem e às que te fecham também ser de todos é não ser de ninguém de ti primeiro que todos quiseste ser fizeste-te dizendo não calando disseste presente ao mau tempo sê grato às portas que se fecham e às que te abrem és tu em todas sê grato à diferença como o vento despenteia as ondas
agostinho trabalhito
do agostinho trabalhito (canhoto) muito haveria que contar, mas fico-me pelos últimos anos.
trabalhou na companha do falecido zé murta e trabalha agora na companha do marco. a corda ao pescoço serve para atar a manga antes do calão e, assim, impedir que alador “coma” e quebre o calão.
pelo caminho lavou pratos num restaurante e dedica-se à pesca à cana (ainda de bambu) para apanhar peixe mais “grosso” que aumente a dispensa da família ou para vender aos restaurantes.
dos muitos irmãos que tem não posso deixar de recordar dois já falecidos: o zé trabalhito e ti antónio trabalhito, ambos homens de mar, ambos homens da torreira