sonha
se infinito é
o inatingível
há tantos por aí
escolhe um
e agarra-o

(torreira; 2013)
sonha
se infinito é
o inatingível
há tantos por aí
escolhe um
e agarra-o

(torreira; 2013)
o livro
reinventar o tempo
por dentro
os amigos ainda são
encho-me de mim
e sou de novo
por ser neles eu
um sorriso um olhar
um abraço
empresto-lhes vozes
inventadas
palavras onde moram
é de memórias
que o livro se faz

(ti miguel bitaolra;torreira; 2012)
a pancada

será forte a pancada
de mar
respeito os homens
no barco
digo-te que maior
a dor
se em vez de mar for
de homem
a pancada

(torreira; 2013)
revisitar
revisitar o ontem
com os olhos de hoje
não é reescrever
o passado
mas sim relê-lo
começar a viagem
pelo fim
é privilégio do tempo
lavo os olhos
na espuma do mar
e ardem-me
estranho seria se não

recriação da xávega com bois
(espinho; 2012)
essencial
essencial a corda
as mãos
tu nelas inteiro
essenciais as mãos
a corda
tu nelas sempre
essencial tu
fazedor de

(costa de lavos; 2017)
porque não sou deus
(deus escreve direito
por linhas tortas
diz o povo)
porque não sou
deus
tento sempre
escrever a direito
e sai-me quase
tudo torto

(torreira; 2012)
oiço-te
escuto nas mãos
as vozes por dentro
oiço-te

(torreira; 2013)
o momento
o momento não é
errado nem certo
o momento é
substantivo e absoluto
adjectivá-lo
é querer ser dono
do impossuível
sê o instante pleno
o momento

(torreira; 2013)
não te preocupes

ninguém te escreverá
para a tua última morada

(torreira; 2013)
da partida
o fechar da porta
tantas portas
no fecho de uma só
o olhar último
antes de
guardado para
as falas do tempo
memórias
de dias tantos
não sei se sabes onde
o sol vai nascer amanhã

(torreira; 2012)