crónicas da xávega (256)


a mais ninguém

cinzentos
os dias sucedem-se
monótonos diversos
suceder-se-ão

o tempo
esse assassino impune
a cada dia me leva amigos
levar-me-á

o que o tempo
me não roubou ainda
homens levaram

perdoo ao tempo
é da sua natureza
a mais ninguém

a mais ninguém

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(torreira; a escolha; 2009)

 

crónicas da xávega (254)


da casa e do mar

moro ao pé do mar
e não o vejo
das minhas janelas

ouço-o nas noites
de temporal
entra na casa como
se sua e eu

as vistas da casa
são outras casas
com outros eus

chamam a isto
cidade
porque muitos

saio de casa
em direcção ao mar
e é sozinho
que me reencontro

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(praia de mira; 2009)

quando o mar trabalha


talvez

5dia_35_DSC9614_aescolhidos e fixados estão os textos (51)

as fotos:

  • ainda se editam, na busca do melhor (87)
  • os retratos vão precisar de autorização de descendentes ou sobreviventes (maioria dos casos) ou dos próprios (não muitas) – será em em junho e julho que as conseguirei (ou não)

o livro está pois preso por pontas.

espero que venham a gostar de o ver/ter/ler tanto como eu, e os que comigo estiveram, gostámos de o fazer.

esperemos pelo sol e o mar.

talvez chegue a tempo de ir a banhos.

 

crónicas da xávega (251)


o meu amigo ti miguel bitaolra

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não ti miguel
não nos encontramos mais

você acreditava que ia
não sabia para onde
mas acreditava

eu quando for
vou para o mar onde você
já não estará

sei que que nos encontrámos
no melhor sítio do mundo
o nosso mundo

havia sempre o mar
ti miguel
o ti alfredo a companha

havia ti miguel
havia

os dias passam ti miguel
mas a cada dia
é mais de memória
a minha companhia

(torreira; 2009)

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falecido em 2017

crónicas da xávega (249)


vejo sinto sou

talvez não fosse uma maçã
pode até nem ter havido paraíso
nem adão nem eva nem deus
cada um acredita no que quer

mas há a moeda
o fmi o bce o dólar o euro
o bitcoin pasme-se

há o homem e o fascínio
das moedas todas
lhe poderem dar tudo

talvez não exista céu nem anjos
nem inferno nem diabo
mas existe a ganância a cegueira
a lágrima a mágoa a alegria
a revolta a aceitação a ignorância
a fome o desperdício o luxo

existe ainda a propriedade
e os homens impróprios
isto não é crença é facto

e sei que existo eu
a questionar tudo isto
porque vejo sinto sou

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carregar o saco na zorra

(torreira; 2012)