a lição do massa

o massa a alar a manga
entra em ti
a casa é enorme
abre as janelas
vê como o mundo
é pequeno
cresce dentro de ti
sê tu inteiro
(torreira; 2013)
a lição do massa

o massa a alar a manga
entra em ti
a casa é enorme
abre as janelas
vê como o mundo
é pequeno
cresce dentro de ti
sê tu inteiro
(torreira; 2013)
até amanhã

plantaram-me
sobreiro
no meio do mar

(torreira; 2012)

(plano 15)
continuação de uma espécie de edição em banda desenhada virtual, com sequência diversa da do livro
o link para uma amostra no ISSUU
(torreira;1972)
plano 5
o livro está aí, caminha e diz-se, cresce e faz-se.
sexta-feira pelas 21h30m nos palheiros da tocha mais uma apresentação.
todos os dias há pedidos de quem o viu e sentiu, de quem ouviu falar dele, de quem ainda não mas …. quer
nunca pensei fazer algo de que gostasse tanto e de que tantos gostassem.
começo aqui, agora uma espécie de edição em banda desenhada virtual
o link para uma amostra no ISSUU

o meu arrais, joão da calada, nos anos 90, meu mestre e grande amigo
é tempo de falar da companha que me ajudou a trazer à praia este trabalho, dizendo os seus nomes.
na escolha dos textos: maria josé barbosa e antero urbano
no trabalhar e seleccionar das imagens: jorge bacelar
na definição do formato do livro e acompanhamento da sua elaboração: helena mouro
na edição e em tudo: jorge pinto guedes (o meu editor e um grande amigo)
no lançamento na torreira, o pessoal de terra:
manuel arcêncio, director do agrupamento de escolas da murtosa, que entendeu desde sempre o meu trabalho e nesta fase final cedeu o espaço e toda a logística.
maria josé ferreira e arlindo silva, que trataram da parte mais delicada do lançamento: entregar os livros, receber os euros e prestar contas.
a todos eles o meu obrigado e um abraço comigo dentro.
bem hajam.
o filme ficou assim
quando o mar trabalha

depois de seco o saco é de novo fechado para o aparelho da xávega poder fazer novo lanço. ao acto de fechar o saco chama-se “dar o porfio”, é o que está a fazer o meu amigo agostinho canhoto
é de rede
deitada ao mar do tempo
este livro
em terra
ficará a contar estórias
a falar de muitas vidas
e saberes
fora dele muito mais
que para tudo
saco não havia
e peixe houve que saltou
deu-se o porfio
fechou-se o saco
é na praia que encontras
os búzios que procuraste
em casa
(torreira; 2011)
bem vindo à sua terra
bem vindo à sua terra
dizem-me quando
não sei desfazer este nó
prendem barcos
unem cordas
ligam gente
são raízes
os nós
mas como são frágeis
os nós humanos
como somos
sem nós
há nós impossíveis
de desfazer
pois há

(torreira; 2010)
cacilda
quantos instantes tem o ano
cacilda
quantos anos um momento
perdi a noção do tempo
cacilda
voou como as gaivotas
em torno de ti e são muitas
o tempo tem muitos tempos
cacilda
é enorme o tempo dos amigos
o teu tempo
há quanto tempo te conheço
não sei
no esvoaçar dos dias salgados
perdi a noção do tempo
é infinito todo o instante
se ao pé do mar dos amigos
cacilda
neste instante cabem muitos anos

cacilda brandão (gamelas), mulher de mar e da maior família da torreira, os gamelas
(torreira; 2011)
faz-te ao mar

faz-te ao mar tóino
não há pão em casa tóino
faz-te ao mar tóino
talvez dê carapau tóino
faz-te ao mar tóino
talvez dê sardinha tóino
faz-te ao mar tóino
não tens outra vida
faz-te ao mar
faz-te

(costa de lavos; 2017)
plantem-me no mar
duvido de tudo
estou vivo
para questionar
alinhados em canteiros
com flores de plástico
visitas em data certa
jazem os que aceitam
mesmo depois de
continuarei a duvidar
recuso o canteiro
plantem-me no mar

(torreira; 2013)
o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto)