(eira pedrinha; 2005)
o tempo me trouxe o tempo me levará o que encontrei aqui ficará adubo serei desta terra que amei
(praia de mira; 2009)
xávega etimologicamente tem raiz árabe: “xabaka”, que quer dizer “rede”
em termos genéricos é o que podemos chamar uma “arte de arrastar para terra”, tal como o “chinchorro”.
em 1774 é publicada em madrid a “memoria sobre la pesca de sardina en costas de galicia” de d. josef cornid saavedra, “regidor de la ciudad de santiago”.
nesta memória, cuja edição facsimilada me foi amavelmente oferecida pelo “museo do pobo galego”, é definida de forma clara a diferença entre as duas “artes de arrastar para terra”: chinchorro e xávega.
– chinchorro : rede de malha quadrangular, sempre com as mesmas dimensões e em forma de funil
– xávega : rede de malha quadrandular, composta por duas mangas e um saco. a malha tem maior dimensão junto ao calão e vai diminuindo até ao saco.
ou seja: é o formato da rede que caracteriza esta arte de pesca e não o barco, como alguns pretendem
a xávega noutras regiões do globo:
sul de itália : sciabica
catalunha: jabega
galiza: xabega
(torreira; anos 90; a espera para ver e comprar)
virado para o mar olhando o longe recordo o ti borras pescador de outros tempos do barcos de quatro remos de tantas juntas que não conhecia mar que o impedisse de trabalhar se o mar fosse de vinho ia a pé até à américa dizia recordo o ti borras pescador e senhor dos mares recordo e não vejo lembrança dele ficou um beco com o seu nome que se apagará no tempo que começa a apagar-se o tempo não pode ser deixado a si próprio ainda não atingiu a maior idade
(o guiador da bicicleta; murtosa; s/d)
guiador guia-me ensinou-me a amar a ria de miúdo levava-me pelos canais da palavra ensinou-me o valor da verdade ensinou-me a dizê-la dos homens o respeito e o amor ao próximo em 1978 partiu a mim só me deixará quando eu partir também quando com ele bom dia senhor césar e companhia assim cresci na murtosa salvé césar gorim
(alberto estrela; torreira; 2006)
boa noite estrela soube pelo teu filho você deve conhecer o meu pai o estrela a frase continua a martelar-me a cabeça que tinhas partido ninguém sabe para onde mas todos sabem que não voltas sabes estrela a vida é feita de encontros e desencontros nós há muito que não nos encontrávamos vinha e não te via e pensava está para o mar era normal e vai continuar a ser normal porque para mim estrela tu estás no mar e é por isso que não nos encontramos um abraço do teu amigo cravo