postais da ria (239)


aos homens e mulheres da ria

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cirandar e escolher

existem homens
que fazem barcos
como se filhos

existem homens
que os encomendam
fazem neles vida

existem mulheres
camaradas dos homens
na faina dos barcos

homens e mulheres
sempre
mulheres e homens

os barcos só
não existiriam

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(torreira; cirandar; 2016)

mulheres da torreira


mulheres da torreira

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teresa castelhana e a filha carla safam redes

elas são donas de casa
elas vão ao rio
elas safam redes
elas parem filhos
elas lavam roupa
elas vendem peixe

elas são mariscadoras
elas são arraisas
elas cirandam
elas escolhem
elas cozinham
elas cosem roupa

elas fazem as contas
elas trabalham no mar
elas vão às compras
elas esperam que eles cheguem
da safra no mar alto

elas choram
elas riem
elas brincam
elas sofrem
elas estão sempre

elas são a camarada

(torreira)

(torreira)

postais da ria (173)


as mulheres da torreira

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a lurdes (orelhas) varre a bateira e a seguir o orelhas (henrique) bota o breu

elas vendem peixe
são mães
criam filhos e netos

elas vão ao rio
cozinham
lavam a roupa

elas safam redes
tratam da casa
fazem as contas

elas são
as mulheres da torreira

eles são
os homens delas

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o casal orelhas e o trabalho de equipa

(torreira; junho, 2016)

crónicas da xávega (167)


o mar tarda

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a albina e a aurora aos bordões da mão de barca

o mar tarda este ano
tarda o peixe no saco
tarda o pão na boca

que inverno
depois deste verão
que nunca?

olho-as e penso
mulheres do mar da torreira
que mar é este?

por dentro de mim
corre uma tristeza por tudo
e não há nortada
que limpe o nevoeiro
que carrego

vivo de algumas memórias
outras me matam devagar

o mar tarda e eu

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(torreira; companha do marco; 2013)