o silêncio sem música faca afiada o cansaço na raiz do não saber porquê ser caixa automática ecológica
raw
os moliceiros têm vela (463)
os moliceiros têm vela (442)
de abril a vinte e cinco
de abril a vinte e cinco o cravo barato vulgar povo foi símbolo sem querer sem espinhos foi sonho sem espinhos foi ilusão sem sangue cansados de tanto abril a vinte e cinco foi porta foi janela o poder ser se fosse o cravo cacto espinhoso no extremo a flor a colher tivessem sangrado as mãos fosses tu a colhê-lo não o sonho ofertado fosses tu a colhê-lo fosses
os moliceiros têm vela (437)
os moliceiros têm vela (435)
os moliceiros têm vela (428)
os moliceiros têm vela (416)
fénix

torreira; regata da ria; 2020
o que resta de mim
são palavras a espantar
o silêncio
caminhei sobre o sal
parti em barcos que não regressam
fui porto e tormenta
o meu tempo é ter sido
resistir
a aventura de ser ainda
eis-me fénix aqui
os moliceiros têm vela (415)
enormes

torreira; regata da ria; 2020
enormes as mãos
destes homens
enormes estes homens
do tamanho de um barco
o moliceiro
os moliceiros têm vela (414)
hoje ontem amanhã

torreira; regata da ria; 2020; ti zé rebeço
sabes que o teu tempo
passou
ainda não completamente
mas
os teus olhos vêem por dentro
das coisas e são a memória delas
não queres o regresso ao passado
mas que ele se sente contigo à mesa
com amigos mais jovens
a quem passes testemunho
o que os teus olhos viram
toda uma geração que viu
és ainda
olhas a ria não como
se te despedisses
mas bebendo do copo
até à última gota
sentemo-nos
há gente a chegar
à tua mesa
os moliceiros têm vela (367)
da regata da ria 2019

regata da ria; fazer bordos; 2019
da beleza da dança
todos enchemos os olhos
poucos conhecem
da bailarina o sacrifício
dançassem os mandantes
estariam cheias as cadeiras
vazio o palco
falo dos moliceiros
da regata da ria
dos camaradas
do sangue da dor
do esforço
falo dos homens
falo dos senhores sentados
à mesa do calendário
e dos banquetes

regata da ria; fazer bordos; 2019








