o meu amigo veio de longe
sonhar asas
inventar voos
libertar-se
ao pé do mar
impossível
recusar o sonho
foi para sonhar
que veio
(praia da torreira)
o insuportável peso da luz
o que nos separa é o essencial
isso só se torna evidente se
sobre o branco inscrevermos
o traço exacto das fronteiras
onde os desejos se dividem
fundamental reduzir o acessório
à sua verdadeira dimensão
dispensável
a luz tudo atravessa para se
fazer dia
(torreira; regata do s.paio; 2010)
traz no nome o início
a força de tudo poder ser
onde o mar e a areia
se encontram sem medos
numa fronteira breve
de espuma agonizante
em dias de haver mar
é ainda noite quando o arrais
e todos na praia à espera
ela mais um mais um mais
braços pernas corpo
conheço-lhe o riso
a linguagem franca das mulheres
que fazem vida do mar
a ternura com que fala dos filhos
a força com que compete com os homens
e vence o mais das vezes
cuida do dia
aurora
(torreira; companha do marco, 2014)