xávega – o saco e a zorra


depois de se ter tirado todo o peixe do saco, de o limpar bem e sacudir é preciso carregá-lo na zorra ( espécie de trenó para areia), para o levar para seco, estendê-lo na areia e deixá-lo a secar.

depois de seco estará pronto a ser de novo carregado no barco (aparelhar) e a iniciar nova faina.

o transporte é sempre feito por recurso à zorra.

assim é na torreira, na praia de mira o esforço é feito por um tractor com um braço grande e colocado o saco num atrelado.

de praia para praia as técnica mudam. as designações também. falamos de designações, práticas e experiências que variam de praia para a praia, embora a arte de pesca seja a mesma e em pouco mudem os procedimentos

o saco e a zorra (I)

o saco e a zorra (II)

o saco e a zorra (II)

os velhos (I)


assim, como se ainda

os velhos

os velhos atravessam o tempo de memória

com mão ágil lágrima grossa regressam

os velhos caminham caranguejos lentos

medusas de horas e anos

os velhos ajoelham calos e varizes

nas pedras gastas do passado

os velhos contam histórias antigas

sabedoria de séculos

os velhos afagam as crianças

macias as mãos grossas magras ossudas

os velhos arrastam-se e caem

cansadas as pernas fechados os olhos

os velhos às vezes já estão mortos

outras morrem ainda mais velhos

os velhos vivem e recordam

e não vivem e recordam ainda

os velhos já foram

por isso são