não te ver
ouvir-te quando
saber-te sempre
sentir-te
que fazer deste ser assim
para além de mim?
(torreira; marina dos pescadores)
houvesse gaivotas por perto e a limpeza seria mais fácil.
mas nem sempre aparecem para comer e para a fotografia.
a realidade é esta, não há gaivotas sempre, por isso é preciso estar lá para trabalhar todos os dias e muitos dias para fazer um registo gaivotado
(torreira; companha do marco; 2010)
já foi tempo de serem os homens, vieram mais tarde os bois
agora é tempo de tractores, a agricultura essa, é a mesma que o francês, ferdinand dennis, tão bem descreveu e que raul brandão citou no livro “os pescadores”
“– Que estranho país é este onde os bois vão lavrar o próprio oceano?”
(praia de mira; companha do zé monteiro”
o vídeo
aqui onde o mar é tudo
que eu em terra
este varado
sequer poiso de gaivotas
nada
nada: é ser isto
um barco
é coisa feita para mar e ondas
gritos e sobressaltos
viagens mesmo se quase ali
não
não esta coisa deitada à espera
do sol
dos homens
à espera de ser
(praia de mira; companha do zé monteiro; barco de mar s. josé)