hoje morreu gabo e não morreu


 

cabrita de pé nos cabeços da ria

cabrita de pé nos cabeços da ria

 

(“gabriel garcia marquez ou a história de um deicídio”
mario vargas llosa)
o tempo gabriel
o tempo
o tempo que tu tão bem
construíste e desconstruíste

algures  na floresta de maconde
um coronel
mortes anunciadas
(a tua a nossa a de todos)
cem anos
putas tristes
quantas histórias
fantasticamente reais
os buendia sempre

o tempo levou-te
o tempo
de estares aqui gabo

a névoa envolve tudo
a labuta dos dias da escrita
dos jornais dos livros dos editores
das palavras
gabo

por entre uma outra névoa
três homens arrancam da lama da ria
com que sobreviver nesta terra
nunca te leram
não sabem quem és

mas foi para eles
foi por eles que escreveste

abraço gabo

 

(ria de aveiro; torreira)

 

 

a alegria da xávega


 

da esq. para a a dirt: vitor caravela, alfredo amaral e rui

da esq. para a a dirt: vitor caravela, alfredo amaral e rui

 

um momento raro em que todos se juntam para o mesmo prazer: a xávega

o vitor, o alfredo e o rui, representam o abraço no mar, dos jovens, sejam eles portadores de deficiência ou não.

ao rui, de costas na fotografia, portador de uma deficiência mental algo profunda, não há maior alegria do que poder ajudar nos trabalhos do mar.

a alegria que foi para ele ir um dia ao mar, ler-lhe essa alegria no rosto, foi um dos momentos mais belos a que assisti.

 

(torreira; companha do marco; 2010)