o tempo gabriel
o tempo
o tempo que tu tão bem
construíste e desconstruíste
algures na floresta de maconde
um coronel
mortes anunciadas
(a tua a nossa a de todos)
cem anos
putas tristes
quantas histórias
fantasticamente reais
os buendia sempre
o tempo levou-te
o tempo
de estares aqui gabo
a névoa envolve tudo
a labuta dos dias da escrita
dos jornais dos livros dos editores
das palavras
gabo
por entre uma outra névoa
três homens arrancam da lama da ria
com que sobreviver nesta terra
nunca te leram
não sabem quem és
mas foi para eles
foi por eles que escreveste
abraço gabo
(torreira; cabrita de pé nos cabeços)