agar ou a memória de um moliceiro


 

 o agar nos secos do bico esperava. queimado por ordem de quem poderes tem

o agar nos secos do bico esperava. queimado foi por ordem de quem poderes tem

 

olho ainda o que já não
guardo-o em mim
coisa minha de ter sido

as chamas comeram-lhe
o que o tempo deixara

contarás as imagens
que prémios ganharam
e era ele a personagem central
loucura pensar que por isso
ficaria mais

um bico no bico
de cimento e azulejo
aponta o céu
virado ao mar
virado ao mar

o fim já tinha começado

 

(ria de aveiro; murtosa; bico)

 

xávega, o saco, as nassas e as caixas


 

 

 

o arrais marco  silva a apanhar peixe com uma nassa

o arrais marco silva a apanhar peixe com uma nassa

 

o peixe é apanhado do saco, no canto inferior esquerdo ainda se vê o porfio, com a ajuda de redenhos, com aro de metal, as nassas,  e despejado para caixas grandes.

depois é espalhado no atrelado ou num oleado, e escolhido para caixas mais pequenas – cerca de 10 kg cada – por tamanhos e espécies.

para ir para a lota o peixe tem de ser lavado, e há duas formas de o fazer: num depósito grande com água do mar, de onde é retirado com caixas de carregar fruta (por causa das aberturas por onde sai a água), ou colocado dentro destas caixas, que são depois mergulhadas em água.

depois de lavado o peixe é finalmente colocado dentro de caixas de plástico com capacidade para cerca de 10 kg, cada.

(torreira; companha do marco; 2010)

história com olhares de bloqueio


e...... fui bloqueado

e…… fui bloqueado

 

para quem não saiba, o “olhares” foi adquirido pelo grupo impresa e a nova administração do site, tem pretendido imprimir uma nova filosofia ao seu funcionamento. nem tudo porém tem corrido pelo melhor, com reclamações pontuais de membros do site, bloqueios de contas de fotógrafos e abandonos de participantes.

como não são as questões pontuais, detectadas no funcionamento do “olhares”, mas sim a filosofia adoptada que me preocupa, enviei o texto que transcrevo, para o apoio do olhares, no dia 29 de março e no dia 2 de abril a fotógrafo amigos do olhares. a 3 abril quanto vou para entrar na minha página, aparece como bloqueada e com a imagem acima.

mas, façamos a história, ponto a ponto:

1. texto enviado ao “apoio” a 29 de março:

breve reflexão sobre o olh ares

premissa fundamental: o olhares é o site de fotografia mais popular de portugal

1.

desde que “entrei” para o olhares, já lá vão uns anos, tenho sido um participante atento do site e apercebido de como funionava/funciona.“um local de encontro de quem gosta de fotografia, não tem grandes pretensões, gosta de ver fotografias e conviver. diria que o olhares foi o facebook dos amantes de fotografia, enquanto aquele não surgiu. aqui se geraram laços de amizade que se ficaram pelo virtual mas que também se concretizaram em encontros reais. claro que os amigos comentam, votam, partilham e, claro também, que quem não aparece, não fala, não ouve, não é conhecido.

é esta a lógica por detrás deste site “popular de fotografia”, é e acabou-se. para mais altos voos outros sites.

2.

depois de ter estado afastado de todos os sites em que participo durante 2 meses, entre finais do ano passado e inícios deste ano, quando regressei ao “olhares”, vi que estava diferente, que parecia haver uma dinâmica que apontava para a fotografia deixando o mais em segundo e terceiro planos.

exemplos:

  • na anterior apresentação a página do autor, quando aberta, mostrava os seus dados pessoais, citações, referências, grupos em que participava…. ele era mais que as suas fotografias, era uma pessoa quando se carregava uma foto, havia espaço visível de imediato para a inserção de textos descritivos da mais diversa ordem: poesia, descrição do momento e localização, retalhos de prosa, ……
  • as fotos que atingissem determinados ratios entravam para “galerias”, desde que tivessem sido devidamente identificadas como candidatas a uma tipologia e se achasse que a tipologia, para além dos ratios, tinha sido bem escolhida – digo eu. polémicas aqui houve e muitos dos autores deixaram pura e simplesmente de identificar a galeria nas suas fotos.

na nova configuração, todas estas componentes para além das fotos, são consultáveis por aberturas de janelas, que as protegem/escondem. este modelo, repito, torna a fotografia um objecto isolado que obriga os autores, quando querem chamar a atenção para algum elemento adicional e escrito, introduzam no título “ver descrição”.

penso que nestes momentos se perdeu muito do “olhares”, entendo que a administração do condomínio não se apercebeu da realidade que tinha encontrado e pretendeu moldar o “olhares” de acordo com os figurinos de outros sites, que nada têm a ver com a história deste.

 

2.

as inovações e as polémicas

 

a- fotos populares

o que é ser popular? é ser visto/lido por muita gente? é haver muita gente a gostar e a divulgar/comentar?….. tony carreira é popular. não se discute, goste-se ou não,

começa aqui a confusão. nem tudo o que é popular tem qualidade, muito pouco do que tem qualidade é popular. e o que é ter qualidade?

se é popular é popular, não há critérios que permitam dizer que não pode ser popular. teve muitas visualizações? muitos gosto? muitos favorita? muitos comentários? muitas partilhas? houve troca de correspondência entre autores sob a forma das categorias acima descritas? tudo isso é estar num site popular, entre amigos e conversar ou dar-se a conhecer. é humano e característico do olhares.

o erro começa logo na designação, não se pode querer vender peixe num talho

depois aparece um algoritmo…. eu que sou formado em ciências exactas e trabalhei com algoritmos, sei muito bem, e muita gente sabe, que qualquer algoritmo tem por detrás uma filosofia que identificou parâmetros e os pondera de acordo com determinados critérios. é assim.

agora digam-me como é que se transforma a qualidade de uma fotografia em quantidades que possam ser introduzidas num algoritmo? como é que ele lê a fotografia? a menos que exista a figura do curador, alguém que vê todas as fotografias e introduz no sistema a ponderação que entende por qualidade. factor claramente humano, que por coincidência poderá ser o nome do curador “al goritmo”.

mais, como é que eu posso não querer que a minha foto chegue a popular? se for boa, o algoritmo selecciona-a, pelo seu factor de qualidade, se eu carregar as fotos e não der cavaco, normalmente não chega, e eu consegui o que queria.

b- ranking de autores

para quê? para um de nós ganhar 2.500 euros? e para se habilitar a tal ter de ter um plano silver ou gold? como é que é construído o ranking?

porque é que o factor qualidade é tão importante nas fotos populares e no ranking, ter o galardão “nossa escolha”, pressuposto de qualidade, não é o primeiro critério? porque é que um fotógrafo com a qualidade do nuno trindade, nº1 do ranking, galardão “ nossa escolha”, foi bloqueado depois de tanto critério selectivo?

a haver uma intervenção humana é exactamente no ranking. ou não existe ou tem de ser muito criterioso na atribuição de posição. como é que autores que não são “nossa escolha”, logo não têm qualidade q.b., podem estar à frente de autores que não têm esse galardão? tá mal! ou será que tá bem?

concluindo

estou e estarei no olhares porque esta é uma das minhas casas, onde vivem amigos reais e virtuais, com quem partilho muito mais do que a fotografia.

não tenho quaisquer pretensões como fotógrafo amador, a não ser dar visibilidade a realidades que de outro modo permaneceriam esquecidas e estabelecer ligação entre comunidades portuguesas de pescadores, em portugal e nos países para onde emigraram.

como condómino do “olhares” gostava de não assistir ao que tenho estado a assistir entre os que aí habitam: o medo.

medo de comentar, de favoritar, partilhar, gostar ….. tudo para ver se não ultrapassam ratios e são bloqueados ou perdem uma foto “popular”.

o que gostaria: de ver um “olhares” com regras claras, transparentes, que não se ficassem pelos adjectivos mas que substantivasse o como das regras com exemplos e, finalmente, que revisse alguns critérios, à luz do que acima escrevi.

espero ver esta meditação na próxima newsletter do “olhares” e reservo-me o direito de a divulgar os condóminos com quem mais me identifico.

os meus cumprimentos

antónio josé cravo/ahcravo

nota: a minha página no facebook tem mais de 3.500 amigos, de vários países do mundo; o meu blog, com mais de 50.000 visualizações nos cinco continentes, dão mais projecção ao que pretendo do que os sites de fotografia onde publico – olhares, fotolog, filckr – mas sei onde comecei e não esqueço. para além disto sou membro de um blog de poesia brasileiro e tenho fotos e poemas espalhados por aí.  

 

2. resposta do apoio a 1 de abril

 

Olá António,

 

Como o seu email não continha dúvidas/questões sobre o funcionamento do Olhares o suporte não pode dar resposta.

O email foi reencaminhado para a direção do Olhares

 

3. no dia 2 de abril, enviei o texto remetido ao apoio, a vários fotógrafos amigos do “olhares” – que se solidarizam com o conteúdo e o divulgaram – um dos quais me avisou de que eu seria o próximo a ser bloqueado.

 

4. no dia 3 de abril, hoje, verifico que a minha conta tinha sido bloqueada, estando paga até 2016, e na minha caixa de correio, a seguinte mensagem do “apoio do olhares”

 

Olá António,

Lamentamos informar que a sua galeria se encontra bloqueada temporariamente devido a ter violada as regras de uso do Olhares.

É de lamentar que esteja a criar polémicas no Olhares e nos obrigue a bloquear a sua conta.

 

5. nem uma satisfação sobre o que vão fazer à minha galeria, com quase 2.000 fotos inseridas, nem ao pagamento efectuado com direito a permanência até 2016.

apenas uma referência ao facto de que estou “a criar polémicas no Olhares”.

no mês em que conquistámos a democracia, uma conta num site português, com pagamento regularizado até 2016, é bloqueada por criar “polémicas”….

uma forma muito própria de celebrar os 40 anos do 25 de abril.

é pena…… mas é verdade