postais da ria (11)


 

 

regata da ria, 2009. sente-se a nortada

regata da ria, 2009. sente-se a nortada

 

no postal da ria (7), do passado dia 20, alertava para o facto de, apesar de a regata da ria estar prevista para o próximo sábado dia 28, ainda não haver um único moliceiro inscrito.

escrevi ainda que “constava” que além de moliceiros, seriam incluídas na regata, bateiras à vela.

coincidência, das coincidências, a câmara municipal da murtosa, marcou para hoje às 18h30m, uma reunião com eventuais participantes.

não sei de agenda, nem de presenças, nem de decisões, nem tenho de saber. sou apenas um curioso e um amante da ria. e isto é coisa a tratar entre homens da ria e quem nela pensa mandar.

mas, convenhamos, para uma regata marcada pelo turismo do centro há meses, marcar uma reunião com os interessados na segunda feira da semana em que ela se realiza, demonstra uma invulgar capacidade de planeamento, vontade e organização, por parte dos edis da “pátria dos moliceiros”.

será que não sabem que é preciso, pintar, reparar, e preparar os barcos para a regata, que é a primeira do ano?

será que estou mal informado? espero que sim.

espero que ande por aqui enganado, a passar o verão, e só me saiam provocações da cabeça.

afinal, quem sou eu?

espero, espero sempre, que tudo corra pelo melhor. eu quero o melhor para a ria.

acho que já ficou claro, para quem me conhece, que não quero estar de bem com todos, quero estar de bem comigo e quero o melhor para a manutenção das tradições.

mas…. como disse um responsável da terra, a um moliceiro, sobre a sua participação na regata: “você é que sabe”. como é fácil governar, assim.

entretanto aqui fica um registo da regata de 2009

 

(ria de aveiro)

crónicas da xávega, torreira (10)


 

 

 

há quem trabalhe e quem queira mandar no que desconhece

o delmar viola repara o saco da xávega

falta-lhe a cadeira de coiro
recostável com rodinhas
falta-lhe o ar de quem julga saber
e por isso fala do alto da sua ignorância pesporrenta
ditando leis de que ignora
o como e porquê
não é um senhor

sabe que sem redes reparadas
não há peixe
que sem ele não há janta

corpo miúdo franzino
seco e com genica
conhece quase toda a gente
não é de silêncios
uma conversa é sempre bem vinda

chama-se delmar
de alcunha é viola

não sei há quanto tempo
o conheço
(torreira; companha do marco; jun, 2014)