os moliceiros têm vela (44)


renasço quando sonho

navegam ainda em mim

navegam ainda em mim

vieram por todos os caminhos
líquidos da memória
voavam no amanhecer do tempo
no mais fundo da memória

abracei-os como se irmãos
perdidos há muito
em terra minha deixada

renasço quando os sonho

o sonho não morreu

o sonho não morreu

(murtosa; regata do bico; 2007)

os moliceiros têm vela (43)


traquinas

um sorriso de criança

um sorriso de criança

trago nos olhos
um sorriso de criança

uma fisga na mão
um papagaio de papel

uma bola de sabão
um carrinho de madeira

umas caricas oferecidas
um jogo por acabar

dentro de mim
nasce uma pergunta
traquina

nunca mais cresces?

um jogo por acabar

um jogo por acabar

(ria de aveiro; regata da ria; 2010)

à conversa com mestre joaquim henriques (raimundo): um moliceiro na américa do norte


é um moliceiro sem dúvida

é um moliceiro sem dúvida (foto de natalie serra)

verão de 2012, numa manhã à sombra do estaleiro do mestre zé rito, na torreira, etelvina almeida conversa com mestre joaquim raimundo.

falamos agora do moliceiro construído,em 2011 pelo mestre raimundo, no seu estaleiro em Lanoka Harbour, New Jersey.

um barco em fibra de vidro, de acordo com os moldes originais, a que deu o nome de “Rei da Ria” e que dotou de inovações que descreve durante a conversa.

o mestre joaquim raimundo mostra como é possível fazer moderno e manter a tradição.

ainda há homens assim

os moliceiros têm vela (41)


fruto e semente

o tempo

o tempo

como tudo é frágil
e se quebra
por entre o fragor
dos dias

de água a memória
escorre
de pedra fora e não

dou-vos palavras
palavras palavras
e não digo nada
sinto tudo como se

somos
fruto e semente

toda a beleza é o instante em que

toda a beleza é o instante em que

(murtosa; regata do bico; 2007)