remoço-me
é na raiz do tempo
que a memória habita
e nasce a sabedoria
remoço-me no mar
(torreira; companha do marco; 2015)
mulher do mar
estendo os olhos até onde
uma linha divide mar e céu
ou os une e confunde
nela escrevo o meu nome
eu inteira sem erros
mulher mãe companheira
o meu tempo é este
em que haver na mesa pão
amassado com sal
é segredo de mar
arte de arrais
suor da companha
(torreira; companha do marco; 2013)
(para uma menina grande
que nunca será daqui)
preciso de falar de ti
olho e vejo e não vejo
o que vêem os teus olhos
vejo-te e uma lágrima
braços e mãos em movimento
permanente e aleatório
os sons guturais que emites
palavras de uma língua só tua
olhos como se todo o corpo eles
que vês quando olhas?
porque sorris?
que mundo é o teu?
olhas-me olho-te
tenho a certeza do desencontro
(torreira; regata s.paio; 2010)
no dia 23 de maio, um sábado de sol, a livraria alfarrabista miguel carvalho, trouxe até coimbra a leitora/poeta/escritora/editora, maria do rosário pedreira e o escritor/autarca, antónio tavares
para a memória dos dias fez-se o registo do encontro
clip 1
clip 2
clip 3
clip 4
vai-se o tempo fica o tempo
tudo tem o seu tempo
nem sempre porém há tempo que baste
no tempo que temos
se sou tudo o que fiz
o que não farei é um eu ausentado dos dias
um já não estar onde
despeço-me de mim não fazendo
amputações fragmentadas
desta coisa corpo gasta pelo tempo
isto queria dizer-te por ser o que sinto
por ser o tempo em nós
sonho de continuar a ser no sobreviver
virá o tempo sem tempo sem mim
(ria de aveiro; murtosa; bico)