crónicas da xávega (69)


mulher do mar

albina

albina

estendo os olhos até onde
uma linha divide mar e céu
ou os une e confunde

nela escrevo o meu nome
eu inteira sem erros
mulher mãe companheira

o meu tempo é este
em que haver na mesa pão
amassado com sal

é segredo de mar
arte de arrais
suor da companha

albina

albina

(torreira; companha do marco; 2013)

os moliceiros têm vela (114)


(para uma menina grande
que nunca será daqui)

miragem real

miragem real

preciso de falar de ti

olho e vejo e não vejo
o que vêem os teus olhos
vejo-te e uma lágrima

braços e mãos em movimento
permanente e aleatório
os sons guturais que emites
palavras de uma língua só tua
olhos como se todo o corpo eles

que vês quando olhas?
porque sorris?
que mundo é o teu?

olhas-me olho-te
tenho a certeza do desencontro

todo o tempo cabe num instante

todo o tempo cabe num instante

(torreira; regata s.paio; 2010)

maria do rosário pedreira em coimbra


maria do rosário pedreira e antónio tavares

maria do rosário pedreira e antónio tavares

no dia 23 de maio, um sábado de sol, a livraria alfarrabista miguel carvalho, trouxe até coimbra a leitora/poeta/escritora/editora, maria do rosário pedreira e o escritor/autarca, antónio tavares

para a memória dos dias fez-se o registo do encontro

clip 1

clip 2

clip 3

clip 4

postais da ria (84)


vai-se o tempo fica o tempo

o retrato do silêncio pleno

o retrato do silêncio pleno

tudo tem o seu tempo
nem sempre porém há tempo que baste
no tempo que temos

se sou tudo o que fiz
o que não farei é um eu ausentado dos dias
um já não estar onde

despeço-me de mim não fazendo
amputações fragmentadas
desta coisa corpo gasta pelo tempo

isto queria dizer-te por ser o que sinto
por ser o tempo em nós
sonho de continuar a ser no sobreviver

virá o tempo sem tempo sem mim

quando eu saí do retrato

quando eu saí do retrato

(ria de aveiro; murtosa; bico)