talvez

talvez o sal talvez o sol talvez o mar talvez eu talvez talvez de certeza
que fazer das palavras
que fazer das palavras se não o assassínio do silêncio que fazer das palavras se não a ferramenta da denúncia que fazer das palavras se não o dizer esta revolta hoje aqui que fazer das palavras se não servirem para derrubar o palco erguido pelo silêncio que fazer das palavras se as aprendi para as dar e serem mais só a conquista dá valor ao conquistado desprezadas são as ofertas que fazer das palavras se não usá-las para gritar quando necessário
é dia ainda
é dia ainda e já se ouve o uivar do lobo a memória acende nos lábios as palavras guardadas quase esquecidas necessárias é dia ainda e já se sente o fedor da besta junta-se na praça a alcateia vindos de longe respondem ao chamado sedentos de carniça é dia ainda e já sabemos que o uivo o fedor mau prenúncio são ao engano quantos irão