
cirandar para a borda

cirandar para a borda

joão manuel dias e joão manuel brandão

o salvador e a maria do carmo, marido e mulher, camaradas

o diamantino arruma as redes, vai começar a época do berbigão

o falecido ti zé costeira regressava de mais uma pescaria, a remar à ré como numa #caçadeira



mau feitio

os rilho, pai e filho, a mesma faina
chamam-lhe rio
e é salgada a água
chamo-lhe memória
e é cada vez mais isto
imagens penduradas
nos olhos onde amigos
nascentes de sentir
chamo-lhe mar e digo
há outras praias
onde a mesma gente
com outros nomes
a mesma arte
tens mau feitio dizem
sabes não é fácil
ser rio de água salgada
(torreira; cirandar; 2016)
do homem

a vara ainda e sempre
que dizer de ti
se és tantos
resistir dói
(torreira; 2018)
recuso-me

o falecido carlos aldeia e o balde com o caranguejo para as enguias
na areia inventar
a pedra
nas nuvens erguer
muralhas
nos pulsos fechar
grilhetas
quebrei todas grades
de todas as janelas
recuso-me a esperar
a morte
continuo a correr atrás
do vento
(torreira; porto de abrigo; 2013)