postais da ria (281)


mau feitio

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os rilho, pai e filho, a mesma faina

chamam-lhe rio
e é salgada a água

chamo-lhe memória
e é cada vez mais isto
imagens penduradas
nos olhos onde amigos
nascentes de sentir

chamo-lhe mar e digo
há outras praias
onde a mesma gente
com outros nomes
a mesma arte

tens mau feitio dizem
sabes não é fácil
ser rio de água salgada

(torreira; cirandar; 2016)

postais da ria (278)


recuso-me

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o falecido carlos aldeia e o balde com o caranguejo para as enguias

na areia inventar
a pedra

nas nuvens erguer
muralhas

nos pulsos fechar
grilhetas

quebrei todas grades
de todas as janelas

recuso-me a esperar
a morte

continuo a correr atrás
do vento

(torreira; porto de abrigo; 2013)

 

postais da ria (272)


meditação com a ria em fundo

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o ti zé rebeço, homem da ria

quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe

vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme

crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes

o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos

se visíveis forem

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ti zé rebeço, a ria como casa

(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013