
tudo cabe na memória
até o esquecimento

(regata de bateiras à vela; s. paio, 2014)

tudo cabe na memória
até o esquecimento

(regata de bateiras à vela; s. paio, 2014)
notas de um retirante

joão manuel brandão e a cabrita alta
“Como Deus não pode alterar o passado, é obrigado a depender dos historiadores para o fazerem”
Afonso Cruz, em “MIL ANOS DE ESQUECIMENTO”
………………
vivografia e bibliografia
não, não há troca de bb por vv, são duas formas de descrever os dias.
na “vivografia” recolhem-se testemunhos, vivem-se os dias de quem ou daquilo sobre que se quer escrever. usam-se fontes “directas”.
consultando bibliotecas, textos escritos por outros, apresenta-se no fim do escrito a “bibliografia”. usam-se “fontes indirectas”.
o escrito passará mais tarde a bibliografia de outros, passará a ser fonte e …. se a fonte não reflectir o real?
exemplo:
bibliografia: “ A par da apanha legal de bivalves tem-se desenvolvido nos últimos anos a apanha ilegal dos mesmos, sem licença, potenciada pelas suas periódicas interdições por razões de saúde pública”
(escrito em 2016, já é passado em 2017)
vivografia: conhecendo a realidade da ria, podemos dizer o seguinte:
em 2012 e até 2014, houve uma proliferação extraordinária de ameijoa japónica na ria de aveiro. período que coincidiu com a crise. nestes anos um número anormalmente grande de ilegais invadiram a ria, a pé, mas a colheita foi perfeitamente marginal e sem significado, face à captura feita pelos pescadores profissionais e legalizados. em 2015 a japónica quase desapareceu.
a apanha em períodos de interdição, embora exista, continua a ser marginal, nos circuitos de apanha e comercialização.
o que é ilegal há muitos anos e, aí sim, temos valores significativos, é apanha de bivalves com artes ilegais.
não digo mais nada, porque toda a gente sabe do que falo ….. toda a gente que conhece a ria, digo eu.
por vezes, mais vale não dizer nada do que “querer tapar o sol com a peneira”.
(cabrita alta – arte legal; 2012)

o largar da solheira
o meu amigo salvador

o salvador

safar as redes da solheira
quando a mulher é camarada
(torreira; 2016)
álvaro gavina e paula

henrique pai e henrique filho, brandões (gamelas)
o tempo tudo julga
e a seu tempo
dirá de sua justiça
o tempo julga
à velocidade
da justiça portuguesa
em sede de recurso
se acaso houvesse
seria de mortos a demanda

os henriques brandão, pai e filho
(torreira; cirandar)
cirandando ideias

ciranda de um (era uma vez uma caixa de fruta…)
nada é tão certo
como o incerto

cirandar berbigão
(torreira; 2016)
hoje não penso

cirandar berbigão
recuso-me a pensar
recuso perguntar porquê
hoje não penso

o salvador belo e o irmão. pedro
(torreira; 2016)
as quotas

a ti maria safa as redes da solheira
na ria não se discute
a participação das mulheres
nem há tempo para isso

(#torreira; 2016)
fui-me

cirandar
anoiteci-me aqui
é tarde meu amigo
é tarde
fui-me

cirandar
(torreira; 2016)
decisão

o que vêem os olhos de um pescador
disseram-lhe
corta o mal pela raiz
não hesitou
logo ali cortou os pés

por onde andará o peixe?
(torreira; 2012)
com o meu amigo salvador belo, de partida para largar a solheira