o bota-abaixo do “marco silva”


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os filhos do arrais marco silva, sérgio e ricardo

no dia 20 de junho de 2015, foi deitado à ria o moliceiro “Marco Silva”.

começado a construir em março pelo arrais marco silva e pelo mestre firmino tavares, com a ajuda dos filhos e amigos, o arrais marco silva voltava a ter um moliceiro.

depois da venda, há uns anos, do “Ricardo e Sérgio”, por não ter condições para a sua manutenção, o arrais voltava à ria com barco novo.

sem quaisquer apoios institucionais, como é costume em nome do défice, mas com muita “paixão” e solidariedade de todos, conseguiu.

deste momento importante da vida de ambos, homens e barco, não consegui registar o instante mais significativo do bota-abaixo: o baptismo e o deslizar pela rampa, tal era a aglomeração de gentes e repórteres e…. não menos importante, os meus parcos 1,65 metros de altura.

o bota-abaixo foi feito na marina de recreio da torreira, propriedade da associação naval da torreira, e o barco deslizou tão bem e reconheceu tão depressa a ria, que o arrais marco teve de nadar para ir ter com ele e assumir o lugar que lhe competia.

depois, o “Marco Silva” levou a bordo a companha de xávega do arrais marco, que esteve presente em todos os momentos do bota-abaixo, e alguns amigos.

de realçar o papel dos filhos sérgio e ricardo em todos os momentos da construção, aproveitando férias e fins de semana. se os barcos do arrais marco silva, têm os nomes dos seus familiares, verdade seja dita que sempre os tem a seu lado quando é preciso.

aqui fica o testemunho da realização de um sonho, do regresso do mestre firmino tavares à arte de construção naval, da força de uma família e da unidade de uma companha.

é esta a ria das solidariedades e dos HOMENS

 

os moliceiros têm vela (173)


UM BOM ANO DE 2016

sobreviver

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o moliceiro “dos netos” do ti abílio carteirista

de velas pandas os dias
seguiram o seu caminho
barcos ante nossos olhos

espanto de ainda por cá
resistir teimoso à chamada
espantoso o ser ainda

um moliceiro voga na ria
quero deixar-vos um ror deles
a encher-vos os olhos

nada mais vos peço que
sonheis com muita força
só assim os moliceiros hão-de

sobreviver

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a bandeira da pátria dos moliceiros

(murtosa; regata do bico; 2007)

 

à conversa com mestre firmino tavares


dos mestres
na precisão do gesto
a mão o instrumento
o mestre

saberes herdados
na escrita dos dias
trabalhados

vai-se o mestre
fica a obra
diziam

já pouca obra
enquanto nenhuma
digo

é este o meu tempo

(torreira; 2015)

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mestre firmino tavares a trabalhar com o formão na construção do moliceiro marco silva

 

ser mestre, não é só o que hoje se diz dos que obtiveram numa universidade esse grau, é coisa muito mais antiga. de saberes de artes e ofícios, de aprendizagens de anos, de carreiras feitas sob a orientação de um “mestre”, até se atingir a qualidade e a perfeição de execução que aos mestres são exigíveis.

não é tradição dos países do sul da europa este tipo de formação e aquisição de saberes e títulos, que remontam à idade média, mas que se continuam a utilizar em muitos países europeus, começando na frança, o país mais a sul. as antigas escolas industriais preenchiam, entre nós, esta função e nelas se formavam operários especializados que recebiam ensinamentos práticos dos “mestres de oficina”.

enfim, toda uma conversa que haveria/haverá que fazer sobre este tema, mas o que agora e aqui importa é ouver “mestre” firmino tavares, último de uma família de mestres construtores navais de pardilhó, e aprender com ele o como foi, o prazer de ter sido e de ensinar a fazer, fazendo.

falar com o mestre são lições de vida que não me canso de receber. espero que depois de ouvir este breve apontamento, sem pretensões, fiquem mais ricos, como eu fiquei

 

 

 

os moliceiros têm vela (167)


continuar

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“andar à vara”

o que resta de mim
é o haver ainda
uma flor por nascer
outras que pouco vejo
mas sinto minhas

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

agarro-me às raízes
enterradas fundo no mar
ao moliço da ria antiga
vara espetada no lodo dos dias
empurrando um casco velho

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

reinvento-me para continuar

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tanta arte quanto à vela

(torreira; regata do s. paio; 2010)