o moliceiro FERREIRA NUNES


no dia 13 de maio de 2018 o moliceiro “FERREIRA NUNES” beijou pela primeira vez a ria, a este primeiro beijo chamamos nós “bota-abaixo”.

filho e neto de moliceiros, antónio ferreira nunes não andou ao moliço, mas para estes homens o moliceiro é um barco que lhes corre nas veias em direcção à ria.

porque era um sonho, porque queria deixar a memória de um tempo, sem apoios financeiros institucionais, investiu do seu bolso.

num terreno baldio, ao lado da casa onde mora, construiu um moliceiro. com a ajuda do mestre zé rito, usando os paus de pontos e os moldes do mestre henrique lavoura.

o essencial ficou dito na entrevista breve, mas há uma coisa que não podemos esquecer: não há razão que explique este amor dos murtoseiros, dos homens e mulheres desta terra, pelos moliceiros.

será que quem manda não ouve, não sente?

admiro-os porque não posso fazer mais.

tenho orgulho na amizade que alguns têm por mim. tenho pena que sejam tão poucos, mas estou feliz por ver que, para além dos que foram moliceiros e por isso querem ter um a navegar, há uma nova geração que nunca andou ao moliço mas que

TEM MOLICEIROS NO SANGUE E OS QUER FAZER NAVEGAR

BEM HAJAM

(o testemunho do dia do bota-abaixo, num apontamento de vídeo, aqui fica)

os moliceiros têm vela (309)


ferreira nunes

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ontem dia 13 de maio, no cais do bico, uma ria de gente assistiu ao bota-abaixo do mais novo moliceiro tradicional da ria de aveiro.

chama-se ferreira nunes, como o seu dono, como o pai do dono, como o avô.

o moliceiro é assim, são gerações passadas lembradas no presente, oferecidas aos futuros.

o nelson, filho de antónio ferreira nunes, e os amigos também deram o seu contributo para que o moliceiro chegasse à água.

querem ver povo, muito povo, na murtosa? dêem-lhe moliceiros.

parabéns antónio, parabéns a toda a família, parabéns à murtosa que filhos como este tem.

os que vivem a ria, os que sabem da importância do moliceiro na história deste povo, estão de parabéns.

houve mais um homem que do seu bolso, só do seu bolso, com a ajuda de outros homens com a mesma “frema”, fez mais um moliceiro.

se isto não é amor à terra e à tradição, não sei o que seja.

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(murtosa; cais do bico; 13/05/2018)

 

o bota-abaixo do “marco silva”


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os filhos do arrais marco silva, sérgio e ricardo

no dia 20 de junho de 2015, foi deitado à ria o moliceiro “Marco Silva”.

começado a construir em março pelo arrais marco silva e pelo mestre firmino tavares, com a ajuda dos filhos e amigos, o arrais marco silva voltava a ter um moliceiro.

depois da venda, há uns anos, do “Ricardo e Sérgio”, por não ter condições para a sua manutenção, o arrais voltava à ria com barco novo.

sem quaisquer apoios institucionais, como é costume em nome do défice, mas com muita “paixão” e solidariedade de todos, conseguiu.

deste momento importante da vida de ambos, homens e barco, não consegui registar o instante mais significativo do bota-abaixo: o baptismo e o deslizar pela rampa, tal era a aglomeração de gentes e repórteres e…. não menos importante, os meus parcos 1,65 metros de altura.

o bota-abaixo foi feito na marina de recreio da torreira, propriedade da associação naval da torreira, e o barco deslizou tão bem e reconheceu tão depressa a ria, que o arrais marco teve de nadar para ir ter com ele e assumir o lugar que lhe competia.

depois, o “Marco Silva” levou a bordo a companha de xávega do arrais marco, que esteve presente em todos os momentos do bota-abaixo, e alguns amigos.

de realçar o papel dos filhos sérgio e ricardo em todos os momentos da construção, aproveitando férias e fins de semana. se os barcos do arrais marco silva, têm os nomes dos seus familiares, verdade seja dita que sempre os tem a seu lado quando é preciso.

aqui fica o testemunho da realização de um sonho, do regresso do mestre firmino tavares à arte de construção naval, da força de uma família e da unidade de uma companha.

é esta a ria das solidariedades e dos HOMENS