os moliceiros têm vela (372)


para o ti zé rebeço
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cais do bico; regata do emigrante; 2019

a ria em fundo
a ria no sangue
a ria cama mesa
a ria outra casa
a ria tudo quase
 
como se dissesse
que se há-de fazer
tantos anos depois
 
o homem confunde-se
com o barco
ele é o barco na ria
a vela o mastro a toste
enterra a toste manel
 
a frema tão murtoseira
 
o saber que não
se pode saber tudo
rás parta o tempo
que se há-de fazer
os moliceiros têm vela (369)

os moliceiros têm vela (369)


sonho ainda
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murtosa; regata do bico; 2017)

 
não nego a solidão
nem a cultivo
 
estou comigo e sou
ergo-me em mim
corto a direito
 
o meu tempo é duro
se amargos alguns dias
inteiros todos são
 
recuso não ser eu
custou muito
fazer-me
 
sonho ainda
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murtosa; regata do bico; 2017

 
ti zé rebeço

ti zé rebeço


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ti zé rebeço, cais do bico; 22_06_2019

do tamanho da ria
maior que o barco
em tão pequena terra
enorme
 
a limpidez dos olhos
a clara palavra
 
falamos em silêncio
dentro do abraço
somos mais que nós
mais que agora
 
na humildade do sábio
bebo um pouco
do que nunca
nunca
serei
 
a limpidez dos olhos
a clara palavra
o HOMEM
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ti zé rebeço, cais do bico; 22_06_2019

 

bateiras_o foto vídeo


um vídeo feito nos estados unidos, com fotografias minhas e com selecção, edição e  produção em vídeo de joão nascimento.
um abraço entre os que emigraram e a terra que é sua, por laços familiares ou origem. no caso do joão, que é da região de castelo branco, foi pelo casamento que a torreira, a murtosa, a ria, o mar, lhe entraram no ser.
impressionou-me a forma como o joão seleccionou as fotos, como se as sentisse. é um prazer ter amigos assim
melhor ver