crónicas da xávega (174)


as palavras e as imagens

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o “M. FÁTIMA” novo e a primeira grande pancada de mar

é normal procurar imagens para as minhas palavras, mas a foto de hoje deixou-me sem elas.

há dias assim, de olhar só

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há anos que não fazia uma foto destas. grande barco!

(torreira; 14 de junho de 2016)

cróicas da xávega (168)


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haja mar! temos barco

11 de junho de 2016
o novo M. Fátima
foi pela primeira vez ao mar

longa vida ao barco
sejam fartas as safras
unida a companha

força arrais marco silva
mestre construtor de barcos
e de dias melhores

parabéns
a todos familiares
que neste dia

disseram: presente!

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um barco que parece voar

(torreira; companha do marco; 2016)

crónicas da xávega (162)


quero ser barco

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estátua nome de rua
jardim praça medalha
não as quero
sequer as mereço

nada fica
de quem a tudo se deu

se me disserem de pedra
acreditem
tudo o que de mim digam
é verdade ou foi

estou cansado velho
gasto desconjuntado

no tempo que me falta
quero ser barco

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(torreira; coampanha do marco; 2014)

o nosso mar


(torreira; 2007)

cumpriram-se os dias
plenos de sal
séculos escritos sobre as ondas
um povo à beira mar
se fez e aí cresceu

aqui todo o destino tem sabor a espuma
escamas recobrem os homens
mulheres outras estas
as que o mar fez
 
restam poucos
restam muitos
restam os que são e sabem ser
pescadores
apanhados
nas malhas de uma europa
que não a sua
 
afogar-se-ão
ou não?

quem se faz ao mar e o vence
será que vai morrer a ver o mar crescer
sem o poder galgar?
 
falo de homens
não de burocratas
falo do nosso mar

quem vence o mar vence sempre

o caminho das ondas


maria de fátima
 
curva-se o mar
à bravura dos homens
quebram-se sobre
o barco as ondas
e passam
 
seguem os homens
o seu destino
indiferentes
sabem que ainda não
 
um dia
cheios de tanto terem sido
será o último
ficará o vazio de não ser
alojado no não ir
 
o homem é
onde o mar também
 
(torreira; companha do marco; 2010)

tempo de ser pescador


barca s. josé_praia de mira_2009

é tempo de mar
será tempo de peixe
se peixe houver

é tempo de homens
tempo de ser
mesmo que peixe
não venha
mesmo que o saco
nada tenha

têm os homens
o saber que vão
sem saberem o quanto são
pois é deles natural
serem-no assim

é tempo de mar
é tempo de ser
pescador

(praia de mira; companha do zé monteiro)